domingo, 16 de julho de 2006

Entre mergulhos


(15. Julho. 2006 - Escrevo na praia...)
Não há nada mais libertador que um mar à frente e os pés enterrados na areia! Especialmente se o dia é quente como o de hoje... Tem estado aí um calor de derreter e os corpos suados que se passeiam só encontram refúgio no mar salgado e fresco!
Eu, que me tenho sentido presa como nunca, estou hoje a libertar-me! Cada mergulho um grito de liberdade, e cada um me liberta mais!
Não quero nada com a toalha, hoje... Só me aproveito dela quando seco o corpo entre mergulhos; depois de seca levanto-me e volto a pôr-me dentro deste mar que me recebe, gracioso, e me refresca o corpo (e o espírito!)... Este mesmo que está aqui à minha frente enquanto eu enterro os pés na areia!
Se eu pudesse respirar debaixo de água, deixava-me ficar por lá e nem vinha a secar-me na toalha! Como não posso, vou voltando, de cada vez mais livre que na anterior!
Andava presa... Quando sair daqui vou livre!

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Escolhas


Revelam-se-me sempre boas as minhas escolhas... Nem que delas tenha vindo dor ou embaraço... Dessas tirei lições o que as transformou, não em más, mas em pouco boas!
Mas foram poucas as pouco boas... A maior parte revelam-se-me acertadas!
Boa a escolha desta cidade que me acolheu; boas as opções de sair de casa de todas as vezes que conheci alguém que tenho hoje como amigo; acertada opção de criar este espaço a que me afeiçoei desde o primeiro dia; boas e acertadas as escolhas dos amores e desamores todos porque me deram tanto... Aquele que menos deu de si, foi professor da mais importante de todas as lições: a que me diz que sou eu a primeira pessoa que deve gostar de mim!
Mas as melhores foram as dos amigos... acasos felizes que fizeram com que se cruzassem comigo e eu com eles! Não vou nomeá-los, porque é difícil e poderia pecar por esquecimento... mas sabem quem são, todos eles...
Sou mais feliz por ter feito as escolhas que fiz e hoje, que é sempre dia de balanços, sorrio com gosto!

Aniversário


Hoje faço anos! Gosto... Gosto de fazer anos! Fico à espera de ser meia-noite... Conto os dias, as horas, os minutos que faltam... Chega a meia-noite e... adoro! Fico feliz como uma menina! Começa a minha celebração que é, em primeiro lugar, comigo mesma! Passa-me o ano que foi pela retina e anseio pelos dias que formarão este que nasce!
Gosto de fazer anos e faço hoje! Faço sempre festa de jantar, copos e conversa! Noite mágica para mim porque me faço rodear daqueles que gosto e sei que gostam de mim! Sei que vão por minha causa e sou eu o elo que os une a todos! Sabe-me tão bem... E o meu convite para a festa é um agradecimento por terem estado por perto no ano que passou... E é uma porta que deixo aberta para que entrem comigo e me acompanhem no ano que vem!
Penso sempre: "Vai ser este, o ano de todas as fortunas!"... E é sempre, são todos! Porque bom é estar vivo e fazer anos!

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Abre-lhe os braços!


A ti, que o acompanhas agora, abre-lhe bem os braços porque ele merece! Faz dos teus braços um abrigo que o acolha! Ele precisa tantas vezes de abrigos!
Até te ensinava como fazê-lo, mas não cheguei a aprender... Por isso não sei! Apenas calculo que seja fácil... Para mim, pelo menos, seria! Mas não pude aprender... Não me deixou o tempo nem esse menino a que agora chamas teu! E olha que eu tentei!!! Tentei como podia mas outras questões se levantaram!
Depois apareceste tu... e olha que eu o quero feliz! Ai de ti que não o deixes em gargalhadas! Mas, especialmente, quero que lhe abras os braços porque ele merece ter uns bem abertos e sempre à mão...
Digo-te só que ele é um pássaro de asas grandes! Deixa-o voar, que ele precisa... mas não lhe feches nunca os braços!
Os meus estão noutras paragens! Sirvam os teus! Felicidades

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Conversas sonhadas


A noite passada sonhei contigo...
Com tantas noites que tem havido, tinha de ser logo a de ontem, em que me fui deitar com tanta esperança de não me distrair com nada...
Pedi descanso e o que tive foi logo a única coisa que me despertaria até de um sono de Belas Adormecidas!
Apareceste-me tu, com uma cara de sonhos, diferente da tua... os sonhos têm destes truques! Não chegou para me enganar, porque eras tu que ali estavas, mesmo sendo o teu rosto o de uma outra pessoa qualquer!
Parece que fui eu quem te procurou (no sonho, claro está! Já disse que fui para a cama não querendo distrações!) até te encontrar!
E conversámos! Conversámos muito... Toda a noite! Quem me visse a dormir não faria ideia da conversa que me ía nos sonhos!
Foi com ela (a conversa!) que me distraíste... Logo ontem! Numa noite em que só o sono era bem vindo aos meus lençois!
Gostava de saber porque não vieste noutra noite... Numa das que te pedi, por exemplo! Nessas é que devias ter vindo... Tinhamos conversado melhor!

quarta-feira, 5 de julho de 2006

João infotocopiável


Há espaços e cantos que apetecem, como apetecem doces a uma criança! Sejam eles reais e palpáveis, sonhados ou existentes apenas neste mundo de tragédias e maravilhas, intimidades, confissões e fantasias como é o dos blogs.
E falando deles, há um que me marcou desde o primeiro texto lido! É, desde aí, paragem obrigatória, necessária e esperada... Até ansiada pela excelência das palavras, pelos assuntos, por aquelas combinações perfeitas e não lembradas a ninguém que não ao João, o seu autor.
Gosto de me passear por esse canto e deliciar-me com ele! É cheio de delícias... E gosto de deixar lá palavras porque me puxam à conversa aqueles textos que se lêem...
O joão escreveu-me um texto e dedicou-mo ("Crustáceo Escritor" foi o nome que lhe deu!)... Não o conheço (nem ele a mim!) e ainda assim mereci-lhe esta honra que agradeço muito.
Mas não se pense que é por isso que lhe escrevo este texto e lho dedico; é mais porque o merece, e destacá-lo é um prazer!
Levanto a taça e proponho um brinde: - Ao João, que é genial e infotocopiável... a ele, ninguém o fotocopia!

terça-feira, 4 de julho de 2006

Prisões


Tenho um elástico atado às pernas... De um lado, atado às pernas, do outro, preso ao passado! É grande, o elástico, e estica muito! Nunca vi um elástico assim!
Eu vou andando, sempre em frente, sempre em frente, e ele vai dando de si... Deixa-me ir tão à vontade, que até parece que nada me prende; nem me lembro que o tenho atado às pernas!
Mas ele lembra-me, às vezes, que existe! Quando já vão esquecidas memórias de outros dias ou de outras histórias, trava-se o elástico e não estica mais... Mais que não esticar, encolhe... Encolhe e puxa-me atrás, e leva-me de volta a histórias adormecidas! É a sua maneira de me chamar para mostrar que deixei para trás coisas que ainda não posso largar! Coisas que me prendem e me puxam!
Não é maldade! Sei que não é! É só o jeito que estes elásticos têm de falar connosco... Sei que quando estiver solta de histórias de ontem o elástico vai desatar-se sozinho... Aí vou de pernas soltas e poderei andar livremente... Talvez até correr! Em frente, sempre em frente...

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Despedidas


Foste embora há pouco tempo e já me fazes tanta falta... Falta de quê, não sei, mas faz-me falta aqueles tudos que me davas quando estavas por cá! De te encontrar em casa quando chegava, nem que estivesses já deitada! Das gargalhadas e das tuas pequenas manias, encantos próprios e só teus, que deliciavam quem partilhava o espaço contigo! De tudo... sinto falta de tudo, se bem que não saiba dizer o que esse tudo é!
Foste embora há pouco tempo, mas parece já muito!
Antes de ires fizemos uma festa... Não pela felicidade da separação (claro!); apenas para que não se tornasse tão pesada... Em tom de festa, doi menos! Sei que conseguimos a surpresa e sei que gostaste de estarem (quase) todos lá para te dar um beijo e uma flor antes de ires para outros lados!
És uma borboleta pronta a voar! E porque sei que é para voar que servem essas asas coloridas, fico feliz, mesmo estando triste por não estares por cá!
Já sabes, quando quiseres voar de volta, tens onde poisar! Poisas aqui, nesta casa que já é outra, mas nem por isso deixa de ser tua... por muito que já cá não estejas quando eu chego!

Mudanças


Não tenho andado por aqui porque estou em pleno processo de mudanças! É incrível as coisas que juntamos ao longo dos anos! Eu, nesta última semana, tenho andado com 7 anos de vida, fechados dentro de caixas e malas, e levados de um lado para outro!
É incrível o que juntamos, e incrível o que se encontra nestas alturas! Há sempre uma foto perdida que nos leva para outros dias passados já meio esquecidos; há sempre um bilhete de alguma coisa que se viu ou que se fez; há sempre algum papelinho escrito... muitas vezes um guardanapo de um qualquer café onde se lia um livro e onde se apontou uma ideia! Tesouros esquecidos...
Não tenho tido muito tempo para mais nada (para além de trabalhar) que explorar o passado e arrumar o futuro!
Ainda não acabei... Mas é giro encontrar sítios novos para as coisas velhas... E para mim!
A vista da janela é outra! Nem melhor, nem pior... Apenas outra, a que me vou habituando!

sábado, 24 de junho de 2006

Delícias entre cansaços


Vim cedo para casa porque estava cansada! E, com aquele cansaço todo, a noite não me estava a apetecer como devia! Saí discretamente, e nem fui àquele bar onde costumas estar... nem fui ver se te via! Para ser sincera, não esperava encontrar-te lá!
Vim cedo para casa e enfiei-me na cama! Nada mais me apetecia que fechar os olhos e descansar!
Não esperava que aparecesses em minha casa mais tarde! Gosto quando te apeteço! Com um olho meio aberto meio fechado abri-te a porta e deixei que te deitasses ao meu lado! Puseste-me por cima do teu braço e aconchegaste-me como só tu sabes fazer! Não há ombro mais doce que o teu ombro esquerdo! Lembro-me que pensei ser possível ficar ali a dormir para sempre! Estava tão cansada!
Mas há beijos e toques que mandam os cansaços embora! O meu, que tinha ontem, envergonhou-se de estar ali no quarto... levantou-se da cama, abriu a porta e ficou na rua à espera! Só voltou quando foste embora... Aí dormi mais um bocado! Acho que adormeci a sorrir!

sexta-feira, 23 de junho de 2006

Estou farta!!!


Estou farta! Hoje, estou farta! E eu até sou pessoa de compreensões e paciências... Ando sempre a passear-me em cordas bambas, porque me rodeio de pessoas sensíveis e com as suas lágrimas para chorar sempre prontas a derramar-se aos cantos dos olhos...
Mas hoje estou farta! Porra! Tenho esse direito, não?!
É que eu também tenho mágoas cá dentro! Muitas... tenho tantas! Tenho histórias por chorar mas, por ser assim, como sou, não me dou a luxos de ocupar gentes com as lágrimas que deviam cair-me dos olhos... Se as choro, é comigo! Porque são minhas e é assim que eu as suporto!
E, por ser assim, tento arranjar-me como posso para que as coisas me doam menos... E as lágrimas acabam por ficar-se tímidas e com vergonha de cair!
Faço-me em forças para não mostrar fragilidades, se bem que há tanta coisa que se poderia partir em mim!
E hoje estou farta! Porque faço tanta força para seguir em frente... e as pessoas de quem gosto não fazem como eu! Não sei que lhes fazer, nem que lhes dizer! Gostava que fizessem como eu faço... Andar em frente! As lágrimas ficam tímidas quando avançamos...
E estou farta, porque não se percebem!

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Cicatrizes


Cicatrizes são memórias... sinais de estar cá! Marcas de dores e do tempo que passa... que passa, que cura, mas que não apaga nem deixa esquecer!
Esta, no joelho, vem-me daquela queda da minha bicicleta de menina, cor-de-rosa e com cestinho à frente! Mas que me atirou, sem cerimónia, ao chão naquela tarde de maiores corridas!
A da cabeça (que mal se nota!) veio-me para aqui trazida por uma pedra voadora que cruzou os céus e veio parar-me em cima! Nunca soube de onde vinha...
A da perna deu-ma uma garrafa partida que me rasgou a pele e me puxou o sangue!
As do coração... Essas têm todas nome! Nomes de gente! Algumas são leves arranhadelas; outras rasgões profundos. Olho para dentro de mim e analiso-lhes os tamanhos e, assim, a importância... É pela profundidade que lhes reconheço os nomes! A maior de todas as marcas ainda não é cicatriz! Será, quando o tempo passar por ela muitas vezes... Ficará mais pequena, mas não irá embora. Porque cicatrizes são memórias. E o tempo cura mas não apaga nem deixa esquecer!

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Futuros


Mesmo se pudesse não queria saber o futuro! Futuros nenhuns... nem o meu, nem o de ninguém! Não peço que me lancem os búzios, nem que me leiam as cartas ou o brilho dos astros!
As bolas de cristal... essas servem só para olhar! Porque são de cristal e são bonitas! Não se vêem lá futuros nenhuns... Só o presente se espelha lá, por serem transparentes!
Que não me venha ninguém, cheio de poderes fantásticos, que me comece a contar o que por aí vem!!
E não dou as mãos para me lerem a sina... nem mesmo se pedirem com cuidado e educação! Não dou, não dou, não dou!
A graça que o futuro tem, para além do facto de nunca chegar, é esse mistério, esse não saber o que traz, esse desconhecer o que vem e acreditar que é bom... Gosto de surpresas! Sim, nem sempre são boas e agradáveis, as surpresas... Mas para quê pensar que serão más?!
Não quero saber de futuros... Prefiro esperar por eles...

sábado, 17 de junho de 2006

Meninas de hoje


Vejo-as andar por aí à espera de amor e de braços que as segurem... São meninas ainda e acreditam mais na procura que no encontro! Vestem-se bem e põem-se bonitas! Pintam os olhos, os lábios, as faces e saem para a noite, na esperança que a noite lhes antecipe qualquer história que dure uma vida! Acreditam mais no destino que no acaso, procuram com os olhos quem lhes agrade e tentam a sua sorte! Que sorte será, não sabem...
São ainda tão novas, essas meninas! Bonecas pintadas de mulheres...
Saem à procura não sabem de quê e, quando encontram quem lhes parece perfeito, vão para casa a sonhar com um beijo ou um abraço, se esse beijo ou esse abraço não aconteceu pela noite! Têm uma ideia perfeita de perfeição e enganam-se a toda a hora! Acabam a chorar nos ombros umas das outras, nas casas de banho dos bares e discotecas onde esperavam encontrar quem as amasse... Cheias de pressa de amar, essas meninas! Mas ainda tão pequeninas e já feitas tão mulheres!
Às vezes apetece-me avisá-las... Dizer-lhes que as procuras pelo amor nunca nos levam a ele... Apetece-me dizer-lhes que o encontramos quando não procuramos nada nem ninguém! Mas paro-me! Aprenderão sozinhas como eu aprendi... Surge sem aviso, o amor! Mesmo que elas não usem a sua melhor roupa, e estejam de cara lavada!

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Pestanas


As minhas pestanas são maiores que as outras! São como os olhos a ir em frente e a querer ver mais!
Tenho as minhas pestanas apontadas para o mundo todo à minha frente como setas que os olhos lançam em direcção ao que está além do que vejo, na direcção das coisas todas que não conheço...
As minhas pestanas grandes são a vontade dos meus olhos e a minha! São os meus olhos a querer tocar em tudo, a querer chegar a tudo!
Estou de olhos no mundo e os meus olhos têm braços em forma de pestanas! São maiores que as outras, mas ainda assim curtas para abraçar tudo!
Mas tentam, as minhas pestanas... E é por ter estas vontades que eu tenho as pestanas maiores que as outras!

terça-feira, 13 de junho de 2006

Camisola 10


Já disse, sou de paixões! E uma delas é a selecção nacional! Gosto de ver jogar aqueles meninos, se bem que há uns quantos de quem gosto menos, e outros de quem gosto mais! Falando de jogadores, tenho um preferido, que sempre me orgulhou pelas posturas assumidas com jogador e como homem (por muito que não o conheça!)
Vestia o número 10... Era merecido e eu orgulhava-me disso como um fã se orgulha de um ídolo! Já disse que não o conheço, mas vi-lhe atitudes, ao longo dos anos, muito raras... Guiou-se pelo coração, sempre! E nunca teve a projecção que merecia! Sempre gostei de o ver jogar... Cheio de classe, a correr e a olhar em frente, como se a bola fosse parte do seu corpo!
Que pena ver entrar em campo outro com a camisola dele vestida! Que pena!
Um dia, se o encontrar por aí, convido-o para um café! Só para lhe explicar que o admiro há muito tempo! E para lhe dizer que ainda não há quem vista bem aquela camisola 10!

sábado, 10 de junho de 2006

Pai-Anjo


Quando era pequenina tinha um pai que me amou sem me ter visto ainda... E quando me viu os olhos amou-me ainda mais!
Era um pai que brincava comigo, que ria comigo, que me passeava e me dava a mão! Que me oferecia os melhores abraços de todos os que experiementei depois desses abraços primeiros!
Tenho saudades do meu pai porque já não o tenho por cá! Ainda me viu crescer e ainda me viu crescida mas foi embora cedo demais! Fez-se anjo o homem que era meu pai! Até aposto que tem asas o meu pai-anjo!
Quando era pequena tinha um pai que me defendia! Agora tenho um anjo que me protege e me sorri das fotografias!
Tenho saudades...

Ri-te!


Andas por aí sem rir... Quase sempre sem rir, mas às vezes ris...
Mesmo se ris, ris-te como quem não ri... E quem não te conhece até pode pensar que não é sincero!
Eu sei que a história é outra! Ris-te como quem quer rir... como quem quer rir e não vê nada com graça! Quando vês tentas rir... e ris assim... Há quem pense que não é sincero!
Queria eu que tentasses mais... muito mais até conseguires gargalhar, até ficares sem forças...
Deves ficar tão bonito a rir com vontade! Tenho a certeza que ficarias bonito a rir com vontade...
Devias rir mais! Esquecer o resto e rir... ou rir e esquecer o resto!

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Sou de paixões


Sou de paixões! Vivo as que arrebatam e fazem voar... As que fazem sonhar com mais; as que pedem muito, as que pedem tudo!
Não consigo gostar de estar calma cá dentro! Detesto estar demasiado calma cá dentro! Não me queixo quando não sei como vai ser o amanhã ou como vou estar: se em dia de risos ou de choros... Gosto é de andar por aí apaixonada e ver que há verões durante o Inverno!
Não gosto que me digam para ter calma! Não gosto porque não tenho nem quero ter! A minha velocidade é outra e marca-se por um conta-quilómetros que vive de batidas cardíacas!
Não gosto que me digam para ter cuidado... Nunca tenho cuidado quando me dizem para tê-lo! Porque eu ando assim, ao meu ritmo que é o que gosto e que conheço... sem medos! Ou melhor, com todos os medos do mundo, mas de peito aberto para enfrentá-los!
Sou assim e gosto... E sou de paixões! Ando à velocidade desse conta-quilómetros que me bate cá dentro!

terça-feira, 6 de junho de 2006

Rosas com sal


Estás tão triste aí encolhida... Escondes a cara para não se ver que choras, mas percebo que tens o corpo molhado de lágrimas... Malditas... São das que deixam rasto de sal na pele... São das que têm muita dor, e por isso têm muito sal!
Quem te deu essas rosas de certeza não te dará mais...Percebo isso pela maneira como te encolhes...
Talvez tenhas sorrido ao recebê-las! E agora choras, mas não largas as rosas! Talvez seja melhor não as largares... Não se largam assim as coisas... devias colocá-las numa jarra de vidro transparente com água limpinha e esperar que murchem...
Quando murcharem deita-as fora! Acabou-se-lhes o tempo! Limpa essas marcas de sal que tens na pele e vai para a rua!
Outros te darão rosas! E talvez fiquem...

Mais um tu


«Houve uma rapariga que enfrentou o problema e quis salvar-me. Quando falhou, eu disse-lhe sinceramente: Se pensas que gosto de amá-la, estás muito enganada. Odeio, Juro-te: trocava o meu coração, com todo o seu conteúdo, por uma cabecinha como a tua.» (Cardoso, Miguel Esteves in O Amor é Fodido)
Estás escarrapachado nas páginas deste livro... devias lê-lo! Não sei se aprendias alguma coisa... Às vezes parece-me que estás tão convencido que não consegues mudar que não mudas mesmo! Se tentasses convencer-te do contrário talvez resultasse... Que dizes?!
Eu também ando por estas páginas... Papel secundário que não me agrada nem um pouco! Sou muito mal tratada neste livro que é uma cópia da tua vida! Acho que deviam ter-me dado mais atenção que apenas um parágrafo!
Mas talvez não haja maneira de me colocar na história de outro modo... Esta história é tua e devias decidir-te a mudá-la!
Eu ando por cá com a minha cabecinha... por enquanto! Ainda não me convenci que falhei!

domingo, 4 de junho de 2006

Conversas com Deus


Se Deus escreve certo por linhas tortas, alguém havia de ensiná-Lo a escrever direito... Com tantas promessas e tanta coisa que por aí se faz a Deus, porque é que nunca ninguém Lhe comprou um daqueles cadernos com duas linhas, que ofereciam às crianças que não escreviam direito?!
E depois, quer dizer... até Lhe ficam mal estas coisas! Já se sabe que escrever torto não é bonito e não fica bem a ninguém... Quanto mais a Deus...
Se eu acreditasse em Deus e me pusesse a falar com Ele, como faz tanta gente por esse mundo fora, já Lhe tinha dito:"Oh Deus, com todo o respeito, mas toma lá este caderninho para ver se aprendes a escrever dentro das linhas... É que cá em baixo já toda a gente sabe e comenta esse teu problema!"
Se eu acreditasse em Deus, era isto que eu Lhe dizia! E aposto que Ele me agradecia...

sábado, 3 de junho de 2006

Vêm por aí cansaços


Entre os cansaços, de todos os tipos, são preferíveis os do corpo aos da mente ou aos do espírito (ou a todos os outros!)...
Vêm por aí ondas de cansaço nos próximos tempos... E vai, de certeza, haver dias que parecerão meses... Ainda assim é preferível este cansaço que se avizinha a outros cansaços que não vão vir, de certeza, por falta de tempo!
Quando me falta tempo só tenho pena de não poder disfrutar das pequenas coisas! Das pequenas e das grandes, como são as pilhas de livros que quero ler, e só vou poder fazê-lo aos pouquinhos... muito devagar!
Vêm por aí cansaços... Mas depois há recompensas! Venham eles!

Gritos


Não percebo muito de energias, nem de Física...
Mas um dia disseram-me que libertamos imensa energia num grito!
Eu hoje bem que podia gritar... bem que podia...
Mas deixei-me estar e engoli mais um grito...
Isto anda por aqui cheio de gritos... Eu ouço-os, porque são meus, mas os outros nem desconfiam da gritaria que me vai cá dentro!
Tenho um grito fresquinho misturado com outros que já guardava...
E eu não percebo muito de energias (e nem de Física), mas qualquer coisa me diz que tenho cá dentro energia acumulada para fazer tremer qualquer coisa...
Talvez tivesse mais, se não gastasse tanta a segurar gritos!

sexta-feira, 2 de junho de 2006

Histórias minhas


Quando saí da casa dos meus pais, para enfrentar mundos que não conhecia já sabia que as mudanças íam ser muitas... O que eu não sabia e me assustava era se seriam boas ou más as mudanças! Mas lá entrei no comboio deixando uma mãe a chorar e um pai cheio de orgulho na gare daquela estação no meio do Alentejo!
Sair daquela casa implicava encontrar outro tecto e fazer dele uma casa minha, tanto ou mais que a outra que é minha porque é da família toda!
E, nestes casos, raro é o caso em que se vai viver sozinho... Eu não fui excepção e o conceito de colega de casa, começou a fazer parte do meu mundo!
Aprende-se muito quando se divide uma casa... Aprende-se especialmente a ter respeito pelos outros e a partilhar momentos!
Toda esta introdução foi feita para falar das minhas colegas de casa! São duas, agora e são família! As melhores que se pode ter... Sempre com aqueles braços prontos para mim quando eu preciso deles, sempre com uma brincadeira para fazer os dias sorrirem... Não há melhores companheiras que as minhas colegas de casa, e ainda bem que são estas e não outras, que vivem comigo! São família que eu arranjei, estas meninas! Tão lindas, tão divertidas, tão cheias de vida... Têm corações tão grandes, as minhas colegas!
Há pouco comprei-lhes um mimo... Um para cada uma! Elas merecem porque são as melhores de todas!

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Cartas


Já lá vai o tempo em que escrevia cartas e as enviava para quem as dirigia... Agora escrevo cartas para os fundos de gavetas ou para o ar... Quem lê as que lanço nunca é quem me leva a escrevê-las!
A mim também não me escrevem cartas... Há que tempos que não vejo caligrafias endereçadas a mim... Eu que gostava tanto de receber cartas e que aguardei já o carteiro como quem aguarda a melhor companhia para a festa!
Tenho guardadas todas as cartas da minha vida... Guardo-as numa caixa que gosto de abrir de vez em quando, sentada na cama... Abro a caixa e começo a tirar de lá todas as boas e más notícias trazidas pelo carteiro... Declarações de amor, cartas perfumadas, bilhetinhos coloridos, postais ilustrados de sítios bonitos, desejos de Parabéns e Boas Festas... Todas escritas à mão, como eu gosto! Vão amareceler, as minhas cartas! Tão bom saber disso!
Por onde andarão as que escrevi e enviei? Será que as guardaram tão bem como eu guardei as que recebi?
Agora escrevo cartas... mas quem deveria recebê-las nem sabe que as escrevo! Não faz mal! Eu escrevo-as na mesma e vou guardá-las... até ficarem amarelas!

quarta-feira, 31 de maio de 2006

Mundo de Tus


Há tanta gente cheia daquilo que me enche...
Tanta gente a falar de ti, a escrever sobre ti, a cantar-te... Bom, talvez não seja sobre ti, mas parece... É sobre outros que não são tu, mas podiam ser, porque quem escreve e fala e canta não sou eu... mas podia!
O mundo está cheio de tus e de eus... Não há nada (ou há muito pouco!) de original nesta história! Mas eu não sinto as dores de ninguém que não as minhas, por mais iguais que sejam os tus que as fazem doer...
O mundo está cheio de tus e, no entanto, eu acho-te único! És tu quem me doi; ou melhor, é a tua falta que me aleija! As gentes vivem as mesmas coisas em todo o lado... E da dor de faltarem tus nascem coisas que me lembram de ti quando as ouço ou as leio...
Bem vistas as coisas pode até haver um mundo de tus no mundo... Para mim os outros são sombras de ti... para mim és só um e é de ti que eu escrevo! E no entanto, o mundo está cheio daquilo que me enche!

Pintura de René Magritte - Golconde

terça-feira, 30 de maio de 2006

Verão



Venho por este meio defender o Verão... Digo isto porque me deparei com uma querida pessoa que não conheço e que pedia "Um céu carregado de negro-chumbo a resgar-se em águas e a precipitar-se na humanidade"
Eu gosto do Verão porque é quente como as pessoas de quem gosto, é leve nas roupas e nos espíritos, é suave nas brisas...
Gosto de ter o corpo menos pesado e mais livre de roupas e sobretudos; gosto da praia e de apanhar sol, e ir ao banho a refrescar-me... Gosto das cores do mundo quando o céu é assim azulinho, e entra dentro de mim com aquele azul bonito!
Gosto de ter os pés destapados e passear descalça na areia!
Gosto de dormir sem lençois nem mantas e com pouca roupa ou nenhuma, e ter a janela aberta para deixar a noite entrar com as suas brisas de noite!
Gosto dos fins de tarde em que apetece esplanadas e bebidas frescas!
Também há coisas más no Verão, mas dessas não falo porque juntas não chegam para esconder as boas!
E, além do mais, é mais fácil dormir sozinha no Verão...

domingo, 28 de maio de 2006

Estás triste...


Andas por aí aos tombos e eu bem que te dava a mão se a quisesses... Já vou conhecendo os teus caminhos percorridos, se bem que há muitos silêncios e não me contas tudo! Não contas porque não queres falar dessas coisas que te doem e te fazem andar por aí meio caído...
Dava-te a mão de bom grado se a aceitasses, mas sabes tão bem como eu que não posso erguer-te sozinha! Tens que ser tu a levantar os pesos todos do teu mundo que carregas nos ombros... Qualquer dia têm marcas, os teus ombros! Tens por aí peso a mais!
Eu estou aqui pronta a lançar-te as mãos e emprestar-te os ombros... Dividiamos os pesos (os teus e os meus) e seria bonito!
Não tenho a mão estendida para te levantar porque não pedes! Se pedisses eu dava-te! Mas só se pedires, porque sei que não a queres de oferta...
Assim andas por aí aos tombos... estás triste (e eu também!)...

Montanha russa


A vida não é como uma montanha russa... é uma montanha russa!
Temos os lá em cimas, os cá em baixos, as vertiginosas descidas (nem sempre divertidas mas sempre intensas!), as subidas mais devagar, ou mais depressa, que nos levam ao topo, para logo a seguir ficarmos, sem saber como, de cabeça para baixo, como se nada fizesse sentido... Há as pausas, como quando nos preparamos, sentados, para qualquer coisa que se sabe que agita e que virá logo a seguir...
Há que aprender com as montanhas russas... E encarar as descidas como preparações para as subidas... Pensar que quando tudo está ao contrário, até podemos ser nós quem está de cabeça para baixo...
Paguei o bilhete e estou a andar... Agora vou para baixo! Não é agradável, nem saboroso mas (já se sabe!) também faz parte!
E não me levanto! Porque a viagem continua e, não tarda nada estou lá em cima, onde só se vê o céu e tudo o resto não interessa... até que chegue...

sábado, 27 de maio de 2006

Presente(s)


Terá alguém reparado que presente, presente e presente se escrevem da mesma maneira e devem ler-se como tal? Terá alguém reparado?
Presente de oferta, de embrulho, de surpresa... Oferece-se um presente a quem se gosta e espera-se que o presente agrade; espera-se que venha de lá um sorriso ao abrir um presente!
Presente de tempo verbal, de agora, de momento... Vive-se o presente sempre com os olhos postos no dia seguinte e esquece-se que o presente é o único tempo que passa por nós! Esboço sorrisos ao viver o presente!
Presente de estar aqui, de não estar noutro lado, de estar presente a viver o agora como se fosse uma oferta... Estar no presente a sentir que é um presente estar presente! É o que eu quero dizer!
É este o meu presente para vós (e para mim também!): sejam e estejam presentes!

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Presente perfeito


Todos os que acham que a perfeição não existe não sabem o que dizem...
Não conhecem os teus olhos que eu vi ontem a olharem para mim como nunca; não conhecem o teu cheiro que se mistura no ar e se mistura com o meu; não conhecem as tuas mãos que gostam de se passear e não me deixam dormir, nem a maneira como me acolhes e acarinhas; não conhecem o meu quarto quando tu lá estás...
Só eu conheço a perfeição... E ontem tive um encontro com ela...
Sei que era noite, mas havia luz... Como se me tivesses dado o Sol de presente! Mas nem o Sol brilha tanto... Brilhas tu (e brilho eu, um bocadinho, quando estou contigo)...
Presente perfeito és tu!

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Entre impossíveis


Hoje olhei para o horizonte do mar da praia, aquela linha que nos põe sempre a pensar nos impossíveis da vida!
Não importa qual era a praia... Podia ser a minha, ou outra... O horizonte é igual em todas as praias porque nunca se chega lá... em praia nenhuma!
Vi hoje um barco ao longe, de dois mastros. Não tinha velas, mas navegava, e era pequeno; pelo menos para mim que o via de longe, da margem! E ele passeava e eu via-o a quebrar, ao longe, a linha do horizonte, como uma pausa... Pausa de impossíveis de alcançar!
Desejei estar naquele barco... Não! Porque se estivesse lá o horizonte seria ainda mais longínquo e talvez sem barcos que lhe atravessassem o impossível!
Desejei ser o barco, isso sim! Eu própria a pausa, a quebra... Eu com os impossíveis aos meus lados mas a alcançar tudo!
Que barco de sonhos! Quem me dera ser aquele barco e navegar...

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Ventos


Estou sem saber se me arrisque no vento ou se me deixo ficar só a ouvi-lo! Gosto de poder que tem... Sopra sem cansaços porque é isso que faz... Alegre e brincalhão! Brinca com os cabelos tanto das meninas despreocupadas como das senhoras que se queriam penteadinhas... Vem o vento e... lá voam os cabelos, as bandeiras, os estandartes... tudo voa! Há no céu, nos dias de grandes brincadeiras, tudo o que de leve se possa levantar no ar!
E o barulho também não me assusta! Alegra-me! É um Buuh de partidas, de pregar sustos a quem se assusta... não eu! Não com essa facilidade toda! Sei que é o vento e que brinca... deixo-o brincar!
Está vento! Vejo-o nas folhas das árvores do lado de lá dos vidros da minha janela! E não sei se me arrisque a ir com ele ou se fico só a vê-lo e a ouvi-lo!
Acho que vou pelo vento!

terça-feira, 23 de maio de 2006

Podes sair?


Como teria sido a nossa vida se a coragem não fosse tão adversa aos teus preceitos?
Gostava de te ter conhecido como homem... Isso de seres só um sonho já me farta! Queria era ter conhecido o resto! A parte humana... a que tem defeitos e que faz asneiras e que se engana e que volta a enganar-se!
Para mim és perfeito e és um sonho porque nunca conheci o lado tortuoso de quem és... Desse lado sei apenas que tens medo de coisas, acho que de muitas até, e que não te atreveste a fazer-me real... Não me deixaste nem mostrar-te os meus defeitos... E eu que queria tanto mostrar-tos!
Sinto falta é de falar mal de ti com as minhas amigas, como fazem todas as mulheres que têm os seus homens ao lado! Assim, elas falam mal deles e eu falo bem de ti, nas nossas pequenas tertúlias de chá e bolinhos! Pudera! Não conheço os teus defeitos, não posso falar das tuas manias... Só do que escreves, do que lês e do que me dizes! Só disso... E essa é a parte perfeita! Então fui-te defendendo até agora! Mas acho que já chega... Não te quero também para sonhar... Nunca me ofereceste as rosas... E talvez nem saibas que eram brancas, as que eu queria receber!
Portanto, podes sair, por favor, dos meus sonhos?

Não sei que pedir


Haveria agora de acontecer qualquer coisa! Gosto da calmaria como da agitação! Agora está tudo calmo por aqui... O mar estava agitado hoje e agitou-me! Apetecia-me nem sei o quê e torna-se mais difícil não saber o que me apetece... Às vezes sabe bem pedir... Como se os pedidos entrassem como realidades por alguma porta que alguém se esqueceu de fechar... Eu, por exemplo, que tanto me esforço por deixar sempre as portas entreabertas!
Não sei bem o que me apetece! E talvez me apeteça apenas verbalizar desejos!
Não sei o que quero, mas quero-me no meio de alguma coisa que não vejo agora à minha volta!
Talvez queira estar no outro lado do mundo, talvez queira estar aqui ao lado...
Apetece-me pedir coisas e não sei que pedir! Mas quanto mais difícil melhor... Nunca fui dada às facilidades...
Alguém me diz que pedir?
Eu depois estendo as mãos...

sábado, 20 de maio de 2006

Festa na Praia


Esta minha praia deserta ultrapassou hoje as 1000 visitas! Tenho agora uma praia deserta mil vezes visitada com 47 pares de pegadas! E, por isso, venho agradecer e promover a festa! Agradecer aos que se passeiam e gostam de estar aqui, aos que deixam na areia as marcas da sua passagem... Aos que povoam uma praia que, como disse no início, se quer deserta apenas para mim! Façamos uma festa... Convido-vos a todos a continuar a aparecer... Tragam o que quiserem e partilhamos depois! Uma experiência, um murmúrio, um grito... Eu, cá por mim, vou continuando! E cá vos espero nesta praia deserta que se tem povoado como eu gosto! Obrigada!

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Postal de aniversário


A minha mãe é uma guerreira... deusa guerreira qual Atena! Veio ao mundo já armada de espada e elmo! Cresceu num mundo de dores e dificuldades! Ainda assim fez-se mulher! E que mulher! Forte e doce num corpo frágil de quem é mulher e não sabe! Depois conheceu o amor! Foi um único e grande amor! E com a mesma força que cresceu, assim amou todos os dias desde que percebeu que amava! E a mulher fez-se mãe... Duas vezes! Linda, forte e guerreira como sempre! Foi filha, mulher e mãe... Nunca esqueceu ninguém pelos caminhos! Sempre com todos protegidos debaixo da sua coragem de guerreira e da sua força de mulher! Sofreu muito, como sofrem sempre aqueles que amam incondicionalmente!
Não tem já aquele que, ao seu lado, a acompanhou e a fez mulher e mãe! Doi-lhe muito e as lágrimas não deixam de correr! Hoje olho para a minha mãe e orgulho-me toda! Não sei se lho digo tantas vezes quanto devia... Mas sei que ela sabe! É uma deusa e uma guerreira... Toda cheia de amor, a minha mãe! Quero vê-la continuar e ser avó! Quero aquela avó para os meus filhos!
Nunca conseguirei definir aquela mulher guerreira que é a minha mãe! Por mais que tente!
Faz anos hoje! Por isso, parabéns! Daqui a pouco janto contigo, mãe!

sábado, 13 de maio de 2006

Continua...


Há pessoas que vivem em outros mundos e povoam os nossos... habitam-nos, por dentro e por fora... rodeiam os nossos dias, vêem-os a chorar, a rir...falam connosco dizendo, muitas vezes, aquilo que precisávamos de ouvir... Falo de escritores, de poetas, músicos... artistas de todas as artes! Ontem assisti a um concerto de Jorge Palma! E o que ele já falou comigo estes anos sem que soubesse! Já me puxou as lágrimas que eu precisava chorar, já me fez rir em gargalhadas quase histéricas! Há naquelas letras e naquelas melodias traços e rasgos da minha vida! Pedaços de mim...
Não conheço o homem que ele é... Conheço-o dentro da aparelhagem, e nas frequências das estações radiofónicas! Só o músico faz parte da minha vida, e não quero que seja de outra maneira! Imagino uma grande desilusão se pudesse ir lá falar com ele e agradecer-lhe! Por todas as vezes em que me aconselhou e me elevou... Tantas pessoas terão já agradecido! Eu seria apenas mais uma e ele, que não me conhece, nunca iria perceber o que as palavras que ele canta já me fizeram!
Humildemente agradeço aqui! Com mil obrigadas pela beleza que ele pôs a circular no mundo!
Deixo só um pedido: continua Jorge... Senta-te ao piano e toca para mim essas palavras que só tu sabes encontrar! Continua...

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Eu e o meu irmão

Eu e o meu irmão somos tão diferentes! Eu gosto de falar muito e ele gosta de estar calado... Não que ele não tenha nada para dizer; e não que eu não tenha nada para calar... Somos assim... diferentes!! Eu adoro o meu irmão e o meu irmão adora-me a mim! Falamos um com o outro, não sempre, mas muitas vezes... Ele fala menos que eu, mas ainda assim sabe o que dizer... Eu falo mais que ele e, às vezes, só digo disparates! Ele ri-se comigo e dos meus disparates!
Somos diferentes mas se eu pudesse escolher um irmão escolhia-o a ele! Gosto dele assim como ele é... mesmo sendo ele assim, tão diferente de mim!

terça-feira, 9 de maio de 2006

Tenho andado por aí!

Para todos os que aqui têm vindo à procura de alguma coisa nova e não têm encontrado nada... A razão é esta:

quarta-feira, 3 de maio de 2006

O meu castelo

Conheço boas e bonitas pessoas por aí... Estão do lado de fora do meu castelo e, às vezes, convido-as a entrar e ficar um pouco! Ofereço o que tenho (porque quero e gosto!) e sou boa anfitriã para quem é meu convidado (ou para quem não é, mas bate à porta com cuidado!)...
Outras vezes sou eu que saio! Abro as portas de par em par e ponho-me na rua com as gentes todas que por aí andam! Tenho só o cuidado de fechar as minhas portas... Porque não tem muralhas, o meu castelo e... que faria eu se o invadissem?
O meu castelo não é grande nem pequeno... Tem o tamanho que tem, mas pode caber lá o mundo! Nunca saberei...
Não o quero para lutar contra o mundo! Quero-o para me esconder lá dentro... sozinha, ou com quem de bom e bonito se cruzar comigo nos meus passeios! São todos bem vindos ao meu castelo, nem que seja para ficar só por um bocadinho!

terça-feira, 2 de maio de 2006

Podes vir

Vá... Podes vir agora... (Vens?!)
Mas faz-me um favor e vem devagarinho! Dá-me tempo para preparar um mundo à meia luz que te apeteça!
Quando chegares (se vieres devagarinho) já estará tudo como gosto e como gostas!
Não toques à campainha... Deixa-te só parar à minha porta que o teu cheiro anuncia-te a mim... E, faz-me um favor, não faças barulho ao entrar para que não se saiba que chegaste ou que cá estás! É só para nós este momento e não quero partilhar nada com ninguém que não sejas tu! Não te rias! Deixa-me ser egoísta!
Podes vir agora... (Vens?!)

segunda-feira, 1 de maio de 2006

Sozinha

Estar sozinha agrada-me e não me magoa! Gosto de me ouvir a pensar e quando há mais gente há muitos barulhos! Também gosto dos barulhos de outras gentes... de muitas gentes, de poucas gentes e, às vezes, gosto de sussurros (há sussurros dos quais é impossível não se gostar!)... Mas quando não há gentes a fazer barulhos é quando eu gosto mais! Porque ouço os meus e penso neles!
Tenho estado sozinha às vezes, e outras vezes vou para o meio do mundo e fico lá a ouvir tudo!
Agora há um silêncio grande cá em casa! Nada fala... Gosto assim!
Vou dormir e hoje não quero sonhar com conversas! Tudo calado nos meus sonhos hoje... Deixem falar o silêncio!

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Jardim


Perguntou-me, hoje, um bom amigo:«Como está a minha menina?». Respondi-lhe: «Olha... Estou!».
E assim é!... Ando por aqui, pelas mesmas estradas, sem perceber o tempo nem reparar nos caminhos.
Às vezes sinto-me bem, e é como se andasse com os pés descalços num jardim cheio de cores e encantos, a sentir a relva e as folhas caídas entre os dedos! Outras parece que o jardim me fica a preto e branco.
Agora anda com poucas cores, o meu jardim... E é estranho, porque estamos na Primavera!!
Um dia explicaram-me que as cores não existem... É a luz que nos faz olhar o mundo e vê-lo colorido!
Se calhar deixei crescer demais as árvores do meu jardim e a luz não entra... Por isso o vejo com tão poucas cores!
Voltando ao meu amigo... Não lhe soube responder!
Talvez seja melhor sentar-me num banquinho do meu jardim para perceber porque não me entra lá a luz e porque se foi dali o arco-íris...

sexta-feira, 21 de abril de 2006

Dedos


O meu amor tem duas mãos... cada uma tem cinco dedos... Sei que é assim porque já olhei bem e já os contei um por um... São cinco em cada mão e parecem mais...
Gostam de passear, esses dedos... E eu gosto que se passeiem e gosto de os ver passear!
São só dez, cinco em cada mão, e parecem muitos e passeiam-se em mim!
O meu amor gosta de ter os olhos fechados! Mas abre-os muitas vezes... Parecem pequenos mas são grandes... são grandes e brilham para mim enquanto os dedos se passeiam!
O meu amor diz que não dorme... Já sei que ele dorme porque, a dormir, os olhos não se abrem e os dedos não passeiam..

sexta-feira, 14 de abril de 2006

Olhos Azuis


Não sei porque é que não tenho os olhos azuis se já passei tanto tempo a olhar para o céu e para o mar... São castanhos, os meus olhos! Não muito escuros, é certo... e às vezes até ficam bem claros! Mas não ficam nunca azuis, por mais que eu olhe o azul e pare lá os olhos...
Já olhei para olhos de outras cores e encontrei neles o mar e o céu!
O que eu queria não era ter olhos azuis... O que eu queria era que alguém olhasse para os meus olhos castanhos e neles visse o mundo... com o céu e os mares todos lá dentro!

Imagem de Pablo Contreras

terça-feira, 11 de abril de 2006

Detesto pressas!


Detesto as pressas! Detesto-as! Talvez pensem que digo isto porque sou alentejana, mas não... Falo das pressas que as pessoas têm em tudo o que fazem... Perturba-me ver gente a comer à pressa, a beber à pressa, a amar à pressa (amar à pressa?!)! Para quê?! Para não reconhecer mais tarde o sabor daquilo que comeu, nem o odor do vinho que engoliu, nem as cores que o amor tem quando as pessoas olham e vêem?! Para quê tantas pressas?! Para quê?! Não gosto que as gentes não passem por mim com calma... Anseiam por tudo ao mesmo tempo... Não sabem saborear as coisas pequenas, pequeninas, que provocam gargalhadas! Não vivo à pressa! Deixo-me andar à velocidade das brisas que não passam... das brisas que vão passando!
Apetece-me cozinhar antes de comer, deixar o vinho respirar antes de o deitar na taça... Apetece-me começar a amar devagarinho, como quem não ama... e ir amando depois, mais e mais, até ser toda amor por mim e por tudo o resto! Não quero ver pressas, nem pessoas apressadas perto de mim! E quero andar assim todos os dias... talvez depressa... mas nunca à pressa!

Imagem encontrada no Google sem referência ao autor

Como se trata mal o português


O português não é uma língua fácil! Nada fácil, aliás... É uma língua de excepções, e é isso que a torna única! E escrever em português é uma tarefa árdua que exige muita labuta e inspiração!
Tomemos alguns exemplos! Muito se fala das bandas portuguesas que cantam em inglês... Eu percebo que o façam! É que, como dizem os Clã, «a língua inglesa fica sempre bem/ nunca atraiçoa ninguém»... Já escrever em português não é para todos... requer mestria, ou corre-se o risco de cair no ridículo ou no 'apimbalhado'. Daí que quando surge alguém que consiga conjugar bem as palavras da nossa língua pátria se diga logo 'É um poeta!', que é como quem diz 'É coisa rara!'
Na oralidade as coisas pioram... Fala-se mal o português! Muito mal! Quantas vezes não se ouvem os 'prontos!', os 'a gente vamos', os 'fizestes' e outros erros que tal?! Fala-se mal e ninguém quer ser alertado, porque com uma correcção ainda se corre o risco de ouvir um 'Deves de ter a mania que és esperta!'... (Deves de ter?...)
Mas é na escrita que se torna dramático este mau trato à nossa língua! Já não falo do uso dos K's ou dos X's excessivos (se bem que me deixou profundamente enervada terem baptizado de Kinas a mascote do Euro 2004, uma vez que o K nem é uma letra do nosso alfabeto! Mas pronto (não prontos!)! O que não falta aí nessas estradas são erros ortográficos que envergonham quem preza a singularidade da nossa língua! Eu ando a coleccioná-los por isso, quem encontrar pérolas desse género, pode enviar-me para aqui
. Deixo um dos melhores exemplos: «Aluga-se apartamento 4 assualhadas, todo iquipado com electricodomesticos próssimo da retunda!»
Até dá vontade de rir! E o mais engraçado é que eu sou licenciada em Estudos Portugueses e... não tenho emprego!


Imagem enviado por e-mail sem referência ao autor

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Outra vez o Cheiro


Ontem à noite, aquele cheiro e quem o possui andavam por aí, ao alcance de quem os quisesse ver, sentir e ouvir... Não andavam literalmente por aí! Tinham lugar marcado para estar e eu sabia disso! Mas decidi não os ir visitar! Achei que seria melhor deixar-me ficar, num lugar onde aquele cheiro não me alcançasse e eu pudesse imaginar que ele não existe, ou que quem o passeia não exerce todo o poder que exerce sobre mim!
Saí de casa decidida a deixar-me ficar mas, à primeira proposta de companhia, não resisti e lá fui... com o coração apertado e todas as borboletas da primavera a bater as asas no meu estômago!
Logo ao entrar, antes de qualquer som, veio o cheiro ter comigo! Mas apenas o cheiro! E, pouco tempo depois, veio quem o passeia... com todo aquele cheiro que me agarra! Veio e foi logo a seguir!
Fiquei mais um pouco, a meio caminho do cheiro e do som... O suficiente para ver sem ser vista (não sei se consegui!)... Não fiquei muito tempo! Fui embora cedo mas levei o cheiro... senti-o toda a noite e ainda o sinto! Em todo o lado, em mim!
Só me apetecia pedir-lhe que ficasse... assim como eu estou ainda aqui e ainda não os larguei - nem o cheiro nem quem o passeia!... E não queria largar...

Imagem encontrada no Google sem referência ao autor