segunda-feira, 26 de março de 2007

Tão longe, o Longe


Poderia fugir até qualquer sítio onde o longe se perdesse... até um país longínquo onde se sinta diferente, se pense diferente, se veja diferente... Continuaria a ser eu a ver, a pensar e a sentir desta maneira que conheces!
Poderia correr até não haver nem mais forças, nem mais mundo para me passar debaixo dos pés fatigados!
Poderia apanhar um avião, um autocarro, um comboio e sair na última de todas as paragens que existem, lá do outro lado do mundo, onde o longe já não é longe... perde-se!
Nunca seria Longe; nunca suficientemente longe.
Subiria à mais alta montanha, desceria à mais baixa caverna, mergulharia no mais profundo de todos os mares e nunca seria longe o suficiente para te encontrar!
És o mais longe de tudo o que existe... Só porque estás aqui ao lado, mas tão longe como o sítio onde o Longe se perde por não existir...
És o meu Longe e, a ti, não chego por mais que corra!

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terça-feira, 20 de março de 2007

Metades


Tenho saudades daquilo que fui contigo nos tempos em que eramos felizes... Não me recordo já dos pormenores e até o sabor dos teus lábios é já uma memória desvanecida, seca e quase sem gosto, mas o que fui contigo é coisa que sei que sinto saudades.

Também não me lembro com nitidez o que era isso de ser eu contigo, mas vagamente me vem a memória de ser uma metade de qualquer coisa em que nós gostávamos de acreditar, que nos fazia rir e sonhar de olhos abertos durantes noites inteiras que passávamos em claro só e apenas a sentir o que era isso de sermos um do outro, cada um uma metade de qualquer outra coisa que eramos nós os dois.

Hoje sou eu toda mas toda eu hoje tenho saudades e não me lembro bem porquê... sei apenas que eras assim uma boa metade e eu gostava de ser a metade que se encaixava contigo... E n me lembro de mais...

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quinta-feira, 8 de março de 2007

Mulheres


Sei que há pessoas que não concordam com a celebração do Dia Internacional da Mulher. Vêem este dia como uma marca depreciativa, como uma manifestação sexista que prova a ainda existente desigualdade.
Não estou entre essas pessoas. Concordo e concordo muito com a celebração da luta que as mulheres travaram ao longo dos tempo pelos direitos, que lhes foram negados durante séculos; pela igualdade, que lhes é inata e ninguém a pode roubar; pela liberdade, de ter uma opinião, uma voz, um voto, de poder escolher; pela oportunidade, de aprender, de frequentar as escolas, as empresas, as instituições, de trabalhar.
Por todas as mulheres que travaram batalhas neste sentido, acho muito bem que se comemore, que se recorde, que se aplauda quem continua a fazê-lo.
E, percorrido este caminho, surgiu uma nova definição de mulher. A mulher que se apresenta ao mundo com metas, que estabelece objectivos e se esforça para alcançá-los, a mulher que pode ser filha, mãe, amiga, amante, mas ainda assim não se resume e que se atreve a ser mais, sempre mais. A mulher que sabe ser bonita e que projecta, que se cuida, que ama, que educa. A mulher que sabe ser doce e sensível e severa e exigente... tolerante, humana e intransigente quando é preciso; que vive dentro e fora de casa, desafiando um mundo que já foi só dos homens. A mulher que enfrenta o mundo todos os dias com a coragem da guerreira que não a deixaram ser antes!
A todas estas mulheres desejo uns bons 365 dias, cheios de lutas e de conquistas.

Às outras... que tenham um bom jantar hoje, que aproveitem bem os momentos antes do regresso ao ontem. Feliz Dia!
Eu não vou jantar fora e acho que nem vou sair... Saio outro dia qualquer...

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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Máscara



Outro dia foi Carnaval e andava toda a gente mascarada! Eu também me mascarei... Aliás, vesti uma máscara diferente daquela que me habituei, desde há tanto tempo, a usar.

Olhaste-me e disseste que gostavas da minha máscara! A princípio fiquei confusa... Terias, tu, descoberto a minha fantasia de todos os dias?! Mas depois lembrei-me que era Carnaval e que eu, como tantos outros, estava disfarçada... Disfarçada com uma máscara diferente daquela que uso para me mostrar a toda a gente e principalmente a ti... Respirei de alívio porque não me tinhas descoberto o segredo... Mas sei que no fundo, secretamente, sempre desejei que me arrancasses com a força dos dentes e dos dedos esta máscara que já não me lembro quando vesti...

Falavas da minha máscara de carnaval e ainda bem... Sei que não me arrancarias a sorridente máscara de sempre por isso, ainda bem que não descobriste!

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sábado, 17 de fevereiro de 2007

Ventos novos


Sopraram-me ventos novos, de mudança. Abracei-os com os dois braços e fui com eles à procura de coisas boas que me touxessem. Comigo levei tudo o que foi até agora porque há coisas e pessoas que não se devem deixar esquecidas nos caminhos.

Sopraram-me ventos de mudança e a minha vida vai passar a ser diferente daquela que é agora... Não que não goste desta, mas quero gostar mais da outra e vou gostar, com certeza, porque os ventos trazem projectos e vontades de cumpri-los e deixa-me o brilho das novidades nos olhos que tentam vislumbrar um futuro por construir.

Sopraram-me uns ventos que aceitei e deixo-me levar, flutuante, como um balão a voar contente com as brisas da novidade!

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terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Mãos atadas


Se alguém me joga a mão nunca aceito... Eu não sou assim... Eu sou de jogar as minhas mãos e só depois deixo que as aceitem... ou não... Já me têm ficado as mãos abandonadas... de dedos hirtos à espera de outros calores de pessoa que as tomem para si...
Não sou de aceitar as mãos que me oferecem, mãos tantas vezes estendidas à maxima elasticidade que permitem a pele e os ossos e todas as matérias de que se faz uma pessoa...
Não sou de aceitar mãos que me estendem por quererem que as minhas rocem as suas, porque há coisas em mim que teimam em ser as minhas mãos a escolher as que tocam, por muito que as mãos que vou tocando abandonem, muitas vezes, sem mais toques, as minhas que vão ficando estendidas...
Hoje apeteciam-me umas mãos que eu quisesse... Umas que por algum sopro mágico de deuses que não existem fossem de matéria humana que me apetecesse tocar... porque, se eu não quisesse, não afagaria mãos nenhumas... Já disse! Não sou de aceitar mãos que me querem... Mas hoje não há dessas mãos e eu estou de mãos atadas!



Foto de Hans Neleman

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Sempre diferente


Gostava de te amar todos os dias de modo diferente, para te poder contar, a cada dia, a novidade do meu amor por ti... Queria ter sempre algo novo para te dizer sobre o meu amor.
Porque hoje reparei que te amo um bocadinho mais quando tremi o lábio superior ao lembrar-me daquele beijo que me deste ao amanhecer. Sim... Este lábio tremente disse-me que te amo, hoje, um bocadinho mais!
Amanhã talvez te ame com fúria e te arraste, por corredores, até à alcofa do prazer...
Depois de amanhã poderei amar-te, quem sabe, com a ternura de poder beijar-te as 24 horas que o dia tem, e talvez, no dia seguinte, poderei amar-te um bocadinho menos do que hoje só porque quero sentir, no dia seguinte, um amor maior ao dia em que te amei menos.
Queria amar-te todos os dias de modo diferente, para juntares a cada sonolento "Bom Dia" um "Como me amas hoje?!" Queria...
Seria sempre amor, é verdade, e de igual teria a transparência de saberes que te amo, mas seria diferente todos os dias...
Não vou cansar-me de te amar, nem tu te cansarás de ser amado por mim porque é sempre diferente o meu amor por ti; cada dia um amor diferente! Hoje sei que te amo assim... Amanhã será de outra maneira!

Imagem de Melanie Acevedo

Quarto Crescente


O corpo, de cansado, acaba por ceder ao inevitável fechar de olhos. Não fosse o cansaço não adormeceria com o barulho do silêncio deste quarto onde poisei a cama onde me poiso a mim.
Quarto Crescente é o nome que lhe dou. Cresce mais e mais e está muito grande para mim... Grande demais só para mim!
Agiganta-se à noite e nas das insónias solitárias cresce mais ainda, o meu Quarto Crescente, como se não fosse parar... Cada vez maior só para mim... (Desperdício de grandeza!)
Eu, do mesmo tamanho que é o meu, vou à janela. Lá fora a Lua tem posto um sorriso torcido de quarto minguante. E assim me entra a certeza de saber que o meu Quarto Crescente deixará de crescer quando cheio.
Por agora, Quarto Crescente... Grande demais só para mim! A boa medida virá de mim, em épocas em que, da janela, a Lua estiver tão cheia como eu!

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sábado, 27 de janeiro de 2007

Louca


Sou filha do sonho e da fantasia e o meu corpo ganha asas de voar por cima e por baixo das nuvens...Salto nas ruas, porque sou irmã da loucura e danço nas calçadas que me fitam admiradas, de baixo para cima...
Sou louca por dentro e por fora e às vezes penso que consigo ser ainda mais louca e sonhadora e fico a sê-lo, como se adubasse sozinha as asas que não sei se todos me vêem pregadas às costas, mas eu vejo a cada olhar fugidio aos espelhos e às portas vidradas das ruas!
Sou louca e danço por aí as alegrias reais ou aquelas que me passam pela cabeça sem me atravessarem a realidade!
Cada amanhecer é uma loucura nova e quem não acredita nisto tem que ser triste... Não pode ser de outra maneira que não seja cinzenta... Eu visto-me de branco e sou feliz...saio a dançar e danço nas ruas porque sou louca de sonhar outras coisas e viver cada uma destas que há!


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sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Lembrei-me?


Hoje lembrei-me de ti... Sabes lá tu quem és... Nem eu tenho a certeza de sabê-lo... Mas lembrei-me...
Perguntei-me porque não resultou qualquer coisa entre mim e ti e não encontrei nem uma resposta... Pensei nisto em todas as vezes em que me encostei ao balcão daquele bar de desafogos para pedir, mais uma vez, que me enchessem o copo com qualquer coisa que me acordasse... Nunca era café, e eu ía bebendo... acabado o copo, vazio o copo, lá me arrastava vagarosamente... Um pé, depois o outro... e encostada ao balcão vinhas-me tu a perguntar-me "Porquê?!" e eu respondia para mim... "Não sei... Encosto-me aqui e lembro-me de ti.... Já nem sei ao que me sabem os teus lábios mas apetecem-me..." Depois perguntam-me o que quero... respondo vagamente "enche.... enche..." e dou o copo como se desse o meu coração pronto como um balão vazio a ser soprado de amores... Lembro-me de ti naquele balcão vazio... Nunca lá me encostei contigo... E já nem sei ao que sabes, mas queria lembrar-me! Enches-me, se faz favor, devagarinho e com cuidado...?


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terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Um deus


Um dia hei-de inventar um deus... Um que há-de ter tanto de bonzinho como de malandro e folião. Um que seja boémio e não se importe com sacrifícios; que não castigue e que, volta e meia, dê o ar da sua graça que há-de ser grande e provocará gargalhadas!
Um dia hei-de ser eu a inventar um deus, ao qual nunca elevarei altares, nem ofertarei flores, nem queimarei velas ou incensos. Nem ele quereria, porque um deus por mim inventado não liga nada a essas coisas pequeninas!
No meio da sua omnipotência por mim inventada, nada fará por quem o segue, porque há-de ser preguiçoso... E é neste ponto que mais se parecerá com os outros deuses que por aí andam, inventados por outros. O resto há-de ser tão humano como eu...
Um dia hei-de ser criadora... Hei-de criar um deus à minha imagem e semelhança... Dos que não há por aí!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Agora, sim... Confesso


Confessar que te amei é uma profunda mentira... Tudo porque a preguiça da explicação me levou a uma má conjugação verbal que, mais uma vez, por preguiça, não me dignei a corrigir...
Como se o "ter-te amado" fosse coisa que se alterasse com o tempo... Impossível, este pretérito perfeito, se o verbo amar toma este caminho de se dirigir a ti...
É verdade que te amei... Tão verdade como a impossibilidade de deixar de te amar um dia... Foi a partir do momento que senti esse amor todo que esse amor todo deixou de ser só presente... Tornou-se futuro e chegou até a ser um passado que nunca houve, mas poderia ter havido... Má sorte ter sido tão tardio aquele presente!
Menti por preguiça de explicar que amar-te uma vez é amar-te sempre e para sempre... Ir muito além da entrega e da partilha e das mãos, e dos corpos, e das almas...
Menti-te quando confessei que te amei, e não corrigi o erro por preguiça ou por não saber como fazê-lo... Só quem te conhece sabe que és para se amar todos os dias... Desde o dia em que se começa a amar-te!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Ainda acende...


Acendo um cigarro com o isqueiro que deixaste esquecido na minha mesa de cabeceira...
Sempre deixaste coisas esquecidas perto de mim... houve até um dia em que te deixaste a ti quando foste embora... Foi o dia em que percebi o tamanho da paixão que te dedicava... peguei em ti e guardei-te cá dentro!
Uma vez foste embora para não voltares! Pelo menos assim pareceu e assim acreditei que seria! E não voltaste, realmente... Foi noutros cantos que te reencontrei e voltaste a deixar esquecido este isqueiro que ainda acende...
Ainda não sei se foi só o isqueiro que deixaste... Ainda tento perceber se te deixaste a ti, se fiquei contigo outra vez cá dentro, onde pensava que já não estavas... Houve algum dia em que tenhas realmente partido, ou andaste só a esconder-te?!
O isqueiro ainda acende... Sabes onde estou, se quiseres vir buscá-lo...

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Novo ano


Há um sítio por cima das nuvens e por baixo do Sol onde os meus sonhos vivem todos juntos e se escondem das realidades...
É um sítio bonito, de nuvens branquinhas e fofas que se comem como algodão doce... Já lá estive algumas vezes quando me passeio enquanto o mundo pensa que durmo!
Escondem-se lá, os meus sonhos, porque não podem andar sempre por perto de mim, correndo eu o risco de deixar a realidade de uma vez por todas, mas passeiam-se muitas vezes junto a mim!
Há um sítio lá em cima onde se escondem os meus sonhos até que eu os realize um por um e povoe as nuvens doces com sonhos novos!
Neste ano que agora começa eu olho para cima e penso neles... Que seja este, o ano de realizá-los... Quero arranjar outros novos!

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Devia...


Devia ter-te comido mais... consumido todo, até à exautão e à fartura... Devia ter feito mais que apenas petiscar e devia ter-me lambuzado daquilo que me oferecias à mão cheia, antes que as fechasses e escondesses o que ainda não tinha comido de ti!
Devia ter-te comido e bebido até não poder mais e enfartar-me de tanto de ter beijado e tocado e sentido e amado!
Devia ter feito tudo ainda com mais ânsia e com mais pressa... Devia ter ficado cheia, farta e gorda e de consumir até ao fim e não deixar nada para amanhã ou depois disso!
Agora que já não te posso comer o resto que tinha propositadamente deixado para depois, reparo no tamanho da minha fome! Não há nada a fazer! Devia ter-me enfartado de ti e agora já não há mais nada para mim...
Nada a fazer! Já deveria ter sido feito... Mania esta, de deixar para mais tarde...

sábado, 23 de dezembro de 2006

Pés frios


O dia em que, pela primeira vez, pensei que podia amar-te, foi um dia de uma beleza maior que a comum beleza dos dias...
Foi a primeira vez que te sonhei e sonhei-te logo muito porque as realidades não me largam por instantes maiores que os momentos dos sonhos!
O dia em que, pela primeira vez, pensei que poderiam ser os teus pés (e o resto todo de que és feito) a aquecer os meus (e todo o resto que em mim há) tive o calor de já te sentir a aquecê-los! Lembro-me que estava frio na noite desse dia... e eu com os pés quentes de te sonhar...
Agora já não sei dizer se algum dia me aqueceste os pés nestas noites frias... Parece-me que sou sempre eu que os entrelaço um no outro... Assim aquecem... E adormeço sem sonhos!

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

O meu Cupido


O meu Cupido tem um problema... Falta de pontaria... Problema grave para quem é Cupido e o meu, coitado, anda triste e cabisbaixo!
Pede-me desculpas a toda a hora e eu, que o vejo assim tão triste... desculpo, pois claro! Pobre Cupido!
Quase sempre acerta a primeira, mas a segunda seta... coitadinho... Vai sempre mal disparada! A maior parte das vezes voa a perder de vista e desaparece! Nunca mais se encontra! Outras vezes acerta em outras gentes e é uma confusão até o meu Cupido conseguir arrancar de lá a seta! Há vezes ainda em que é ele, desastrado, que cai dos telhados e das árvores onde se esconde para a disparar! Chega-me sujo e dormente da queda e sou eu que o limpo e o encorajo a tentar de novo! "Um dia hás-de acertar" - digo-lhe!
Em mim acerta sempre... Eu ajudo, pobrezinho! Já sei deste problema e lá me ponho à frente dele...Não há como errar... A outra é que ele não consegue acertar! Às vezes erra o alvo, outras voa-lhe a seta para longe... Acertar é que não acerta!
"Um dia hás-de acertar" - digo-lhe sempre...

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Páginas Brancas


Se calhar comprei um caderno grande demais...
Andei a escolhê-lo com cuidado e até tive atenção ao número de páginas brancas... Escolhi cuidadosamente um com muitas folhas, que eu pudesse preencher e onde escreveria uma história que queria longa... Não poderiam faltar páginas...
Acho que comprei um caderno grande demais porque ainda me vão as folhas no início e já a história cheira a final... É pena! Tinha para mim que ía gastar aquelas folhas brancas à velociadade de carros de corrida batendo recordes do mundo...
Olho para o caderno já com olhos de abandono e penso nas palavras para lhe escrever um fim...
Comprei um caderno grande demais para nos escrever... Há tantas páginas ainda tão imaculadas... E já adivinho que só o tempo lhe dará outra cor de tons de amarelo... Nada de manchas de tinta preta a falarem de nós!
É pena... Uma caderno tão bonito merecia ser escrito até ao fim...

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Lábios vermelhos


Hoje vou pintar os lábios de vermelho vivo e sair à rua...
De lábios vermelhos vou passear e beijar o mundo até deixar em todo o lado marcas de mim... beijar as pessoas nas bochechas e, alguns, na testa e depois sair assobiando e retocando os lábios para que todos fiquem marcados por mim e pela minha passagem...
Vou pintar os lábios de vermelho porque me apetece beijar o mundo e que o mundo mostre ao mundo os meus beijos, marcados nas faces...
Se encontrar por aí o meu amor beijo-lhe os lábios... Só a ele, e aí toda a gente saberá que é esse o meu amor... Aos outros são as faces, a testa, as mãos...
Vou sair de casa hoje e vou de lábios vermelhos.... Vou beijar o mundo!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

De Sem a Cem


Há 10.000 visitas atrás (mais coisa, menos coisa) este espaço não era espaço nenhum...
Há (qualquer coisa como) 10.000 visitas atrás, era um lugar que nascia para as palavras, mas ainda sem elas...
Há (por volta de) 10.000 visitas atrás, este era um espaço sem textos...
Sem textos... Sem imagens...
Depois foi-se compondo... Ganha nome de Praia Deserta só porque quem o criou quis arranjar maneira de se apropriar de um espaço que não seria nunca tão seu como os cadernos das gavetas... Não foi deserta e povoou-se...
E, sem que fossem de areia, estes voadores chãos desta praia foram-se enchendo de pegadas...
Este é o texto cem... Cem imagens... Cem textos e é este o centésimo... Num dia de (mais ou menos) 10.000 visitas...
E contei-vos as pegadas... 551 (quinhentos e cinquenta e um) pares de pegadas!
Hoje, se é Deserta, esta Praia, é só porque quem a criou quis arranjar maneira de se apropriar de um espaço que não seria nunca só dela...
Nunca seria só meu...
Obrigada a todos os que cá vêm, aos que deixam pegadas, aos que me dão ideias, a quem me ajudou a criá-la, a quem me inspira palavras que depois venho cá depositar... Obrigada, muito obrigada! É com um sorriso que agradeço e vos dou também os parabéns... Porque esta praia é de quem cá anda e por cá se passeia... Nunca foi só minha...
Continuem a pisar-me as areias... Eu também vou continuar...

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Toma (-me)


Toma... Toma-me! Aqui me ofereço a ti... Estou-me na ponta dos dedos destas mãos que te estendo e quase caio de mim na tentativa de te chegar... Vá, agarra-me! Estou já nas pontas dos dedos destas mãos que te estico e o chão é longe e já escorrego!
Toma-me... Antes do cansaço de esticar os braços os faça recolher ao conforto de se encolherem e aí caio mesmo dos dedos já dormentes onde me poisei para me ofertar a ti!
Toma-me... Não demores muito... os dedos já tremem... Sinto que tremem e quase escorrego...
Antes que os braços recolham... toma-me...

sábado, 2 de dezembro de 2006

Rio Nilo e outro sonho


Ontem pensei em escrever-te sobre um rio, que seria dos amores... Tinha cor de pele e dos cinco sentidos e atravessava o peito de todos os que sentiam estas coisas boas e bonitas... Dava, por isso, a volta ao mundo e atravessava corações de todas as idades, cores, raças e credos sem discriminação nenhuma. E depois de pensar em escrever-te sobre este rio de sonhos, onde te convidaria a banhares-te comigo, mandaste-me um beijo do tamanho do Nilo... Um dos maiores de todos os rios do mundo! Sorri com um sorriso muito grande por te lembrares, sem saber, de me falar assim de coisas grandes e de um rio, tal como eu tinha pensado escrever-te e ainda não to dissera... Muito mais real o teu rio! E ainda bem, porque é na realidade que eu te quero! Guardei esse beijo do tamanho do Nilo nos lábios!
"Só há coincidências"... e há umas tão bonitas!...

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

A senhora do café

Gosto da senhora do café onde quase nunca vou... Sempre que por lá passo com tempo encontro-a sozinha e faz-me logo, à minha entrada, um sorriso calmo e afectuoso...
Gosto da senhora do café e não sei nada dela, nem se gosta de estar ali, àquelas horas já tardias e, quase sempre, sozinha... Nunca encontrei lá mais ninguém quando a vou visitar, já tarde! Mas parece-me que gosta porque, cada vez que lá entro em horas já longas, a encontro de sorriso posto para mim... Respondo-lhe sempre com outro, dos meus melhores e mais quentinhos, e lá lhe peço um café! Agora parece já não ser preciso... Já sabe que é café que eu quero. E (vi hoje) tira-me a bica a sorrir e vai depositar-ma na mesa... Ao meu obrigada responde, invariavelmente, com um outro e lá vai sorrindo ternamente para a parte oposta à minha do balcão! Gosto da senhora do café onde quase nunca vou e não lhe sei nada! Nem o nome, nem os gostos...Gostará ela, de café?!

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Aceitas?!


Está guardada para nós e guardei-a porque quero saboreá-la contigo... numa noite em que possamos ter tempo para nos saborearmos também...
Havemos de abri-la e deixá-lo respirar para depois o derramarmos em duas taças, várias vezes, até que se acabe... ouviremos os copos a bater um no outro em cada brinde que fizermos e ergueremos as taças as vezes que as levarmos à boca para beber!
Iremos conversar e rir e, talvez, sonhar um pouco! E com os lábios em tons leves de roxo vou pedir-te um beijo, ou beijar-te sem te pedir e será também de lábios roxos que te falarei do que me vai cá dentro!
Depois vou beber-te porque também és vinho... embriagas-me e enebrias-me!
Não vou sequer pensar em guardar as taças... No dia seguinte encontrá-las-emos ainda no mesmo chão onde lhes bebemos o vinho...
Está guardada para nós e comprei-a a pensar-te em minha casa comigo... e eu a beber-te nos lábios...

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Há por aí três meninos


Há por aí três meninos de quem eu gosto muito! Somos todos novos uns para os outros, mas já sentimos, juntos, tantas coisas... Têm andado comigo a ajudar-me a realizar sonhos, estes três meninos e é tão bom realizá-los assim...
Dois deles têm nos dedos a magia da melodia e tocam em duas guitarras com um amor tão grande e uma alegria tão bonita... às vezes são traquinas, e riem um com o outro com sorrisos marotos das melodias que lançam à vida!
O outro lança, cantando, um amor bonito pelas palavras e pela forma de senti-las... Veste-as como roupas suas, que tira do seu armário de infinitos sentimentos!
Há por aí três meninos de quem eu gosto muito! Quando estamos juntos falamos de música, de poesia, de sonhos... E rimos muito todos juntos! Gosto mesmo destes três meninos! Ainda bem que me entraram vida adentro...

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Essas tuas mãos


Tens umas mãos que se sentem tão bem... Adoro quando as abres como se fossem leques e me abraças e deixas ficar, nas minhas costas, essas mãos abertas de dedos esticados...
Fico a sentir que não estão só nas minhas costas, as tuas mãos... Estão-me por todo o lado... Quase juro que consigo caber toda nas palmas das tuas mãos! Parece que nem precisarias de as passear por mim... Toda eu fico ali, nas tuas mãos que se abriram, nas pontas dos teus dedos, no seu comprimento de dedos habituados a melodias!
Sinto-me grande e pequenina quando tenho essas mãos tuas a prenderem-me e a puxarem-me para ti!
Não sei se algum dia me vais conhecer como conheces a palma da tua mão; nem eu a ti, como conheço a minha... Conheço melhor as palmas das tuas mãos que tudo o resto que há em ti... e as tuas mãos conhecem-me toda, mesmo que seja só de abrires os dedos e me tocares de mãos abertas!
Será que alguma vez já te disse como gosto das tuas mãos e de me sentir nelas?

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Cantei o fado


Queria poder colocar em palavras a magia de realizar um sonho; tentar explicar com vocábulos o que se sente quando, de repente, já não são apenas os meus olhos a ver e os meus ouvidos a escutar aqueles sonhos que se têm desde que se existe ou se respira... Gostava de partilhar numa frase o que se sente quando se chega onde apenas se sonhou! Queria... e, no entanto, tudo me parece pouco e pequeno... Não há palavras assim tão grandes! Têm todas poucas letras e não chego lá!
Este fim de semana que passou foi de sonho... Um sonho do tamanho dos maiores! Tudo porque deixou de o ser e passou a existir de verdade!
Eram as guitarras a falar comigo e eu a cantar com elas... Entre os sorrisos de uns e as lágrimas de outros! Quase não se explica! Sente-se apenas e aproveita-se cada momento, porque é único... Mais perfeito que o sonho, porque o sonho era só meu e este fim de semana foi para ser partilhado!
Aconteceu! Foi real... e dentro daquelas paredes, numa sala cheia de amor, voou-me o fado da boca e ofereci-o, de presente, a quem lá estava a recebê-lo... Cantei o fado!

Post Scriptum: Agradeço muito a quem esteve presente, a quem não esteve, mas que me tem dado força, coragem e incentivo e, por último (mas nem por isso menos importante), aos meus guitarristas André Capela e Bruno Vitor, assim como ao meu colega de cantorias José Roxo! Muito obrigada!

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Perto de mim


Se estás longe... Se há distâncias de terras e mares que nos separam, só as sinto porque se estendo os braços, por mais que os estenda, não te toco como me apetecia... Mas sinto-te perto, aqui ao lado, neste e em outro qualquer sítio onde paro, nesta ou em qualquer rua onde ande e me passeie...Estás perto de mim...
Estás perto porque te guardei cá dentro e levo-te para todo o lado, mesmo que ninguém te veja... Eu sinto-te cá dentro e ouço-te a rir e a cantar e a falar comigo... às vezes rio-me do que me dizes... Pensarão, talvez, que estou louca, quem se cruza, nas ruas, comigo... Não importa... Guardei-te cá dentro e levo-te para todo o lado enquanto quiseres ir comigo...
És um sorriso que me anda nos lábios e que eu mostro, sem medos, a quem me rodeia ou a quem apenas passa por mim... a quem passa por nós!

domingo, 5 de novembro de 2006

Cabelo Branco


Hoje notaram-me na cabeça um cabelo branco... Branco... Fui a correr vê-lo e lá estava, realmente! Branco por entre os escuros, muito escuros, quase negros...
E foi assim que uma marca de envelhecer me deixou, imaginem, feliz como uma criança!
Gosto do tempo que passa e gosto de vê-lo a passar por mim e a deixar-me presentes e surpresas, como quem deixa uma carta debaixo da porta... Porque ao passar deixa histórias... minhas e de quem me acompanha! Umas melhores, outras piores... Mas sempre histórias que vão preenchendo as folhas que chegaram brancas e lisas do caderno de que sou feita!
Às vezes, olho para mim e não vejo mais que uma criança brincalhona... Outras olho e vejo uma mulher... e as vezes que não olho nem penso nisso sou só eu... sem idade nenhuma! Logo a seguir fui comprar um livro de poemas de mulher... Isto neste dia em que reparei no meu primeiro cabelo branco e em que me senti criança!

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Como um búzio


Anda cá... Chega-te aqui perto... mais perto...
Agora, de mansinho, encosta o ouvido ao lado esquerdo do meu peito... Não faças barulho! Chiuuuuuu... Ouve... Ouves?! Consegues ouvir? É o meu coração... Engraçado, não é?! É como encostar o ouvido a um búzio...Ouve-se tudo... os ventos, as brisas, as ondas do mar!
Sabes, nem sempre foi assim...Houve alturas em que era só um sussuro... um burburinho quase imperceptível... Outras houve em que não se ouvia nada...
Agora é isto... Tudo se ouve se encostares o ouvido aqui, ao lado esquerdo do meu peito! Que alegria! Acho que foste tu... Não sei que varinha mágica agitaste no ar, nem que ventos soltaste para dentro do meu peito, mas acho que foste tu a soltá-los cá dentro! Parecem-me estar todos aqui... Respiro-os! E com eles vêm as ondas que rebentam e se espraiam em mim! Ouves, não ouves?! Se alguém os não ouvisse, não serias tu, de certeza... O meu coração faz barulhos de búzio... Tudo se agita nele... Vens ouvir?!

sábado, 28 de outubro de 2006

Palavras


Às vezes mando-te palavras... Daquelas que te chegam rápidas... quase à velocidade que eu tenho de senti-las... Gosto de mandar, assim, estas palavras e que elas te cheguem com avisos de mensagem que se quer urgente, porque a urgência é a única maneira de sentir as coisas todas...
E, quando às vezes, te mando as palavras mais bonitas, queria poder ver-te a recebê-las... Sabes, imagino que sorris! Imagino tudo da expressão que vestirias para recolher e acolher as minhas palavras...
Mas queria mesmo era ver-te... Medir, a pormenores de fita métrica, a largura do teu sorriso!
Gostas das palavras que te mando como quem lança beijinhos?

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Respiramos


Respiras a tempos diferentes dos meus, e até acho que respiras mais depressa... Tenho a certeza que sim!
Não sei se é bom ou mal sinal, o facto de não acertarmos os compassos das nossas respirações, mas é intenso, como se fizéssemos das nossas repirações instrumentos e dali se ouvisse uma música só nossa e em que completamos os nossos respirares com os respirares um do outro!
Bonita... Tão bonita, a melodia!
Quando estou deitada ao teu lado e sinto o teu corpo colado ao meu, sinto as diferenças... o meu respira mais devagar! Já o teu é de um respirar que não pára! Gosto dessa tua pressa! Ainda bem que respiras com esse ritmo e me avassalas enquanto respiras assim... Até quando descansas!

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

O meu arco-iris

Não gosto de chuva... Não te zangues comigo!! Sei que dizes que gostas da chuva mas eu, por mim, não gosto! Não gosto de andar à chuva, nem de me sentir em pingos debaixo de um céu cinzento, tantas vezes quase negro... Nem da chuva, nem de me proteger dela! Não! Não gosto da chuva... Ainda assim percebo-te quando me dizes que gostas... Porque gostas das suas palavras... Palavras de chuva, lançadas contra as vidraças e ouvidas do outro lado em que nada se molha e tudo é calor! Assim também posso gostar da chuva... De estar deitada e no calor... De lhe ouvir a violência desenfreada a bater nas janelas que me protegem dela!Também posso gostar da miudinha... Sim... Posso, sem dúvida, gostar da chuva pequenina... Mas, para isso, tens que me ajudar e levar-me a passear... Os dois, como crianças, a passear debaixo da chuva miudinha...De resto... De resto, não gosto (e não te zangues comigo!); mas a chuva não é para mim!Mas há sempre beleza no mundo e nos dias... Até nos de chuva! Existe o arco-iris!! Como existes tu... até em tempo de chuva!

terça-feira, 24 de outubro de 2006

O teu mundo


Tentei vezes sem conta entrar dentro desse teu mundo, que sempre me pareceu lugar apetecível... sempre procurei entrar lá dentro e deixar-me ficar... Sonhava até com uma poltrona que era vermelha e confortável, e comprarias para mim... Seria essa a maneira de me convidares a ficar....
Plantei-me do lado de fora desse teu mundo e passei horas e dias... semanas e meses em terra de nada e ninguém onde ficava sozinha, mas com os olhos postos nas portas de ouro desse mundo que eu, por não saber como é por dentro, ía sonhando e embelezando do lado de fora...
Às vezes vinhas a passear-te fora de ti e do que te cerca e que é teu, e era aí que nos encontrávamos e nos íamos conhecendo pouco a pouco... Houve até uma altura em que era já comum encontrar-te do lado de fora de ti...
Nessa altura, mesmo quando não estavas, sentia-me mais perto de entrar por aquelas portas que os meus olhos viam, e me sentar na poltrona vermelha que imaginara...
Mais tarde percebi que o teu mundo não era para mim... Não era para mim, porque nunca me virias buscar cá fora nem me levarias pela mão a entrar dentro de ti... Deixei de olhar as portas e virei os olhos para outros lados, na tentativa, que alcancei, de me esquecer do tom vermelho da poltrona onde sonhei instalar-me!
Eis que, seguindo outros caminhos, descobri outras portas para se entrar no teu mundo... Não são douradas... são mais pacatas e humildes, mas entra-se melhor por essas que pelas outras! Entrei e sentei-me numa cadeira normal, comemos na mesma mesa, juntos e com quem lá estava e eu gostei! Este bocadinho do teu mundo é agradável e bonito... Depois vim embora para o meu, partilhá-lo com quem me abriu outras portas!
Estou contente!

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

A tua borboleta


Quando chegaste perto de mim trazias, poisada na mão, uma borboleta. Fitava-me curiosa, tal como tu, e num instante menor que o tempo levantou voo... Pensei que se fora mas enganei-me! Fez um voo doce e amoroso à tua volta, que eu acompanhei com os olhos, e poisou-te no ombro...
Depois... Depois qualquer coisa aconteceu e quase tenho a certeza que essa tua borboleta te sussurou qualquer coisa ao ouvido... Não percebi nenhuma palavra, mas tu pareces ter entendido tudo, por que sorriste...
A seguir não a vi mais e juraria que entrou dentro de ti e se fundiu contigo...
Depois do nosso primeiro beijo sinto cá dentro umas asas que batem... Não sei se são as da tua borboleta, mas creio que sim... que me sopraste, num beijo, essas asas...
Que borboleta era aquela? É ela que me bate cá dentro e me faz cócegas? É por ela que não paro de rir?

sábado, 14 de outubro de 2006

Dia de sorte


Parece que o dia dos azares passou por mim trazendo sorrisos e palavras bonitas! O dia dos azares, sempre só foi de azar para quem não voa, nem sabe voar! Para mim, foi de sorte e de sorrisos e o meu dia dos azares, que foi ontem, revelou-se lindo de morrer! Cheio de borboletas voadoras e saltitantes!
Cheio de cócegas nos cantos da boca e sorrisos sem sentido, pelo menos para quem olhava para mim sem perceber o que me acontecera de tão feliz no dia dos azares!
Voei... Ando a voar e em voos altos, sem medo que o Sol me derreta as asas e me me faça cair por terra... ando a voar lá em cima, sem saber bem onde o 'lá em cima' é, mas com asas cheias, fartas e fofas que não perco, porque são minhas e de mais ninguém! Não sei já para que me servem os pés... Não os uso, porque me chegam as asas!
Encontrei outra gente feliz nos meus voos... passeavam felizes em dia de azares... Haverá melhor sorte que esta?!

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Sou do Fado


Sou do Fado!
Não sabia que era nem do que era e agora sei que sou do Fado mesmo não sendo eu triste, nem soturna ou fatalista! Não creio no destino e não alimento o desgosto... ainda assim sou do Fado e sinto-o em mim quando as suas letras de desgraça e saudade saem galopantes da minha boca e a tragédia se apodera de mim e do meu corpo inteiro!
Sou do Fado quando a pele se me arrepia com dores que nunca senti e quase as sinto, sinto-as quase... e os olhos marejados de água cantam também com a boca e com as mãos trementes... Sinto-as quase; sinto-as já...
A guitarra abre-se em choro e eu, chorando com ela, empresto-lhe a voz que tenho e choramos as duas um amor ao Fado. Quando ela se cala, sou outra; mas quando ela geme e chora... sou a Ana do Fado, trágica e fatalista... e choro com ela!

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Sorrisos meus


Disseram-me para sorrir... Parece que alguma coisa brilha à minha volta, segundo me disseram, quando eu sorrio... e parece que essa alguma coisa que brilha é tudo à minha volta (segundo me disseram!)...
Depois de receber estas palavras que me lançaram sei que sorri! E não reparei se alguma coisa se iluminou à minha volta, mas cá dentro iluminou-se tudo!
Por pura pretensão, resolvi acreditar e, puxando fios de memórias, percebi que os meus sorrisos maiores dos momentos mais felizes nasceram em época de sorrisos!
Não sei se alguma coisa brilha ou se ilumina ao meu redor com os meus sorrisos mas, agora, a sorrir, vejo que quem brilha sou eu! Brilhos que me oferto sem saber se os outros reparam!
Andava apagada e os candeeiros das ruas não chegavam para me iluminar os caminhos. Vou soprar-lhes sorrisos e acendê-los! O céu, de si, já é, por vezes, tão escuro e carregado...

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Barquinho de ser feliz


Vou tratar de enviar-te no barquinho de seres feliz... Mas devo avisar-te que não tem nada de especial o barco! Não é feito das melhores nem das mais finas madeiras... Pelo contrário! É barco de madeiras humanas, daquelas que o tempo transforma como nos transforma e envelhece a nós!
Vou tentar enviar-te no barquinho de seres feliz e avisar-te que vou lançar às águas o barquinho! Terás que sair de lá como puderes, mas aviso-te logo que só o conseguirás com asas! Essas que perdeste no caminho... Foram-se uma por uma, as penas que te fizeram voar noutros dias e agora... Não tens asas!
Por isso vou lançar-te às águas no barquinho para que de lá saias a voar! Não há outra maneira de saires daquelas águas! E tens que sair, porque o tempo vai transformar o barquinho em restos... Voa de lá porque só te envio no barquinho de seres feliz para que ganhes asas... asas de voar!

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Calem-me!


Estou farta de falar e não me deixam estar calada! O que me apetecia era calar-me e a toda a hora me chamam e me perguntam coisas a que não posso não responder!
Quero fechar a boca! Fechada! Não a quero abrir para falar! Que a minha boca se abra apenas para comer e cantar, porque cantar não me cansa... Não me cansa nada! Se quiserem também vocês calar-se para me ouvir, que esteja eu a cantar!
Mas para conversas, não estou! Quer dizer, sou obrigada a estar, mas não me apetecia nada...
Alguém que me cale?... Há por aí alguém que me obrigue a calar?! Porque é que ninguém me cala e toda a gente teima em fazer-me falar?!

domingo, 17 de setembro de 2006

Noite fria


Mais uma noite por aqui... Uma de tantas que não vai trazer novidades nem fortunas maiores... Neste princípio de noite vejo-me sentada... Apenas um Martini Bianco por companhia! Copo cheio, ainda...
Lembrei-me de ti, e com isso veio tanta coisa que me arrepiei! Talvez seja do frio... Faz frio aqui e eu não gosto!
Levo o copo à boca para lhe provar o gosto... Sabe, hoje, ao mesmo que sabia ontem e todos os dias! Já estão os meus lábios marcados no copo e lembrei-me de ti, outra vez... Dizendo isto assim até parece que nunca te recordo! Será, talvez, por não te recordar já tantas vezes... Já não todos os dias, já não a todas as horas e a toda a hora...
Bebo mais um trago! É bom haver coisas que sabem sempre bem! Não, não estou a falar de ti! Tu tens muitos sabores... Já te provei tão doce (nos beijos... esses...) como salgado... as lágrimas ainda não aprenderam a ser doces!
Não sei de ti e pergunto-me apenas: Gostas de Martini? Eu gosto... Do que eu não gosto é do frio!

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Sonhos noctívagos


É de madrugada, quando volto a casa, que eu sonho e sonho acordada... Quando chego à cama não tenho tempo e quando saio da cama fico sem tempo nenhum até ser outra vez madrugada e voltar para casa...
Sonho, sonho, sonho!!!
Cada passo mais um pedaço do sonho, cada metro mais um pormenor feliz... Devia morar mais longe, fora da cidade, numa casa que nem se visse ao longe quando as luzes estão acesas... Num sítio que me fizesse andar muito para lá chegar... mas moro perto... e ando com os sonhos a meio!
Se morasse mais longe podia ter sonhos maiores ou chegar com os pequenos ao fim... Moro perto demais para acabar com os meus sonhos noctívagos, que são os únicos que tenho tempo para ter...
O caminho não chega para lhes escrever, na mente, um final... quanto mais um que seja feliz...

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Eu e a Solidão


Vivo aqui sozinha... Esperei tanto tempo por um espaço onde pudesse arrastar os amantes e agora, que vivo aqui sozinha, não tenho amantes para chamar...
Queria chamar algum para que dançasse comigo, ou para que se risse comigo, ou para que me mimasse ou ainda para me dar prazeres dos mais carnais... Não tenho quem chamar... Foram-se os amantes que chamaria e fica apenas o espaço deles que a Solidão ocupou...
Faz-me companhia a Solidão! Vive aqui comigo, neste espaço sonhado para ser terra de amores e de paixões! Faz-me companhia e ouve-me as conversas, intromete-se em tudo e, às vezes, senta-se a ver-me chorar sonhos perdidos... Jogamos às cartas, às vezes! Cartas de Tarôt que não sabemos ler e inventamos histórias e futuros para nós... Futuros onde à minha casa voltem os amantes! Futuros onde ela possa não ser sempre tão sozinha... como se isso fosse permitido à Solidão...

domingo, 10 de setembro de 2006

Sonho novo


És um sonho todo novo e vou tratar de sonhar-te muito antes que o mundo real toque por aí às portas dos sítios onde paro.
O mundo real teima em não carregar consigo a beleza dos meus sonhos... Pudesse eu saber quem trata de pintar a realidade para lhe mostrar e tentar vender as cores com que pinto as minhas fantasias...
Poderia ficar menos real, o mundo, mas ficava mais leve e mais alegre e mais bonito e mais feliz como são os meus sonhos... Os mais antigos, os mais recentes e os sonhos novos, como tu és, ainda sem o saberes!
Ainda não encontrei uma cor totalmente nova para te sonhar... Teria que ser um qualquer tipo de cor bem disposto... Talvez tenha qualquer coisa de vermelho, porque é cor de paixões e é com paixão que eu te vou sonhar! E vou sonhar-te muito... O mais possível e depressa, porque as campainhas da realidade são teimosas e teimam em chamar-me a toda a hora.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Secaste-me!


És uma fonte que secou e as águas da tua nascente fizeram-se rio. Não sei por que caminhos correm... desconheço-lhes o leito. Perto de mim, não é... Secou-me essa fonte onde eu bebia e me refrescava das tardes lentas e das noites pensativas...
Foste a correr por um leito e nem me avisaste que caminhos tomariam as tuas águas. Agora tenho sede e não sei onde ir beber...
Inspiravas-me as palavras e agora emudeci-me sem água... Tenho a boca seca e as palavras colam-se-me aos céu da boca para ficar lá sem sair...
No fundo sempre soube que irias... Primeiro porque és fonte e há, com certeza, outras sedes a matar. Mas também porque és águas que sempre me escaparam estre os dedos frágeis... E depois porque vais à velocidade das correntes, galgando pedras, grandes e pequenas...
Foste com as águas e deixaste-me sede!
Vou procurar outras águas, está bem?!

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Declaramos que vamos ser felizes!


"Porque é que dispendem tanta energia a procurar ver até onde vai a vossa capacidade infinita de sofrer em vez de procurarem descobrir até onde vai a vossa capacidade de serem felizes?"
Por nos terem dito isto declaramos a nossa imediata rescisão contratual para com o sofrimento!
Morram as dores e acabem-se as lágrimas... A chorar, que seja por rir!
Morram as dormências e os entorpecimentos do corpo... A estar dormente, que seja pelas gargalhadas ininterruptas!
Morram as ansiedades e os suspiros... A suspirar, que seja pelo latejar do sangue neste órgão bombeador de sentimentos chamado coração!
Por isto tudo declaramos:
Vamos ser felizes!

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Eu vi-te!


Vi-te e nem te acenei... Não gritei o teu nome para que olhasses para mim, até porque estavas tão perto que bastava falar baixinho que me ouvias...
Vi-te e nem te chamei! Baixei a cabeça e comecei a escrever-te como se algum dia fosses ler o que escrevo para nunca te entregar!
Vi-te e não disse nada... Calei-me e fiz-me pequenina... Encolhi-me toda a escrever-te as coisas que não te digo e não te chamei para as poder dizer...
Foi assim porque me senti a mais... Havia ali demasiado do teu mundo para onde nunca me levarás... Por isso, apenas te vi e não te gritei, nem te chamei, nem tampouco te acenei...
Não sei se me viste... No embrulho escondido em que me transformei, não havia espaço nem para um olhar de soslaio...Mas se me viste também tu não gritaste, nem me chamaste, nem tampouco me acenaste...
Viste-me? Conseguiste perceber que aquele embrulho pequenino que tremia era eu?

Um dia rebento!


Um dia destes ainda se me arrebenta tudo cá dentro...
Tudo por causa desta mania da coragem e de pisar todos os medinhos que me assustam e de ir sempre em frente, mesmo quando até eu sei que voltar atrás é o mais acertado!
Um dia, como o de hoje, em que podia ter recuado sem ter sido notada...
Mas eu não recuo! Eu?! Não! Eu não recuo, e se os planos eram ir em frente, não é para recuar os passos e voltar por onde vim!
Esta minha mania das coragens ainda vai dar em desgraça e, um dia destes, rebento! Depois é ver os bocados de mim por todo o lado...
Mesmo sabendo disto parece não haver remédio... Teimo em consumir-me até à exautão e só dou um passinho atrás quando me vejo exauta e a rebentar...
Um dia não dou pelos limites e rebento! Um dia como o de hoje...

domingo, 27 de agosto de 2006

... Martini?!


Anda beber um Martini comigo...
Melhor, vem jantar, mas vem mais cedo para um Martini! Para ti tem que ser Rosso, porque para mim é Bianco e adoro a sensualidade da semelhança e da diferença entre os dois... Pode ser em minha casa, porque estamos melhor, e vou comprar, de propósito, uma garrafa do Rosso só para te dar um copo... A do Bianco já tenho...
Vou preparar tudo com amor e marinar o prato de véspera... Logo vejo se peixe, se carne... Logo escolho o vinho... Por agora só te digo que começaremos com um Martini sem saber no que vamos acabar... Tu, Rosso e eu Bianco, com gelo e limão...
Falta-me comprar a garrafa e saber quem és para te convidar... Só sei que gostas de Martini Rosso... Tanto como eu gosto do Bianco...

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Assim...


É por seres assim, como és, que eu te agradeço! Porque tudo o resto que tenho para te agradecer não é mais que consequência do seres assim!
Digo assim porque as palavras são todas pequenas para explicar o assim que tu és... Mas também para que não saibam... Não quero desvendar o teu assim!
Assim fico só eu a saber como é o teu assim e a agradecer-to... Os outros que saibam que o teu assim é assim... tão bom!
É por isso que te agradeço... E é para ti, esta flor!