terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Mãos atadas


Se alguém me joga a mão nunca aceito... Eu não sou assim... Eu sou de jogar as minhas mãos e só depois deixo que as aceitem... ou não... Já me têm ficado as mãos abandonadas... de dedos hirtos à espera de outros calores de pessoa que as tomem para si...
Não sou de aceitar as mãos que me oferecem, mãos tantas vezes estendidas à maxima elasticidade que permitem a pele e os ossos e todas as matérias de que se faz uma pessoa...
Não sou de aceitar mãos que me estendem por quererem que as minhas rocem as suas, porque há coisas em mim que teimam em ser as minhas mãos a escolher as que tocam, por muito que as mãos que vou tocando abandonem, muitas vezes, sem mais toques, as minhas que vão ficando estendidas...
Hoje apeteciam-me umas mãos que eu quisesse... Umas que por algum sopro mágico de deuses que não existem fossem de matéria humana que me apetecesse tocar... porque, se eu não quisesse, não afagaria mãos nenhumas... Já disse! Não sou de aceitar mãos que me querem... Mas hoje não há dessas mãos e eu estou de mãos atadas!



Foto de Hans Neleman

4 comentários:

João Barbosa disse...

De mãos atadas? Logo hoje que te ia desafiar para jogares comigo à sardinha... ;-)

Tânia Pereira disse...

As mãos que te ataram as mãos serão as mesmas que tas poderão desatar: as tuas!

Ana Fonseca disse...

João: aquilo não é um nó... É um lacinho que se desfaz num instante! Vamos jogar? :)

Tânia: não leves assim tão a sério o que eu escrevo... Já não sei dizer isto de outra maneira, mas repito-me: nem tudo o que aqui se escreve tem que ser real, ou tem que ser a minha realidade!

João Barbosa disse...

Hum?! 'Tá bem. Bora lá!... :-D