sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Mentiras

Diz que está na mesma. 
E sempre que o diz perguntam-lhe como é que é isso, que não é possível, que nunca se está na mesma. Mais ainda depois de tantos anos.
Repete que sim, que está igual, que não houve nada, de entre livros, filmes ou pessoas que a incentivasse a diferenças. Diz que está igual e estar igual é estar triste como triste é a casa onde se arreda do mundo.
Eu digo que não está igual. Está mais triste, e fica mais e mais de cada vez que diz que está igual... E sabe disso, mas mentir é tão mais fácil. Mentir e ficar igual...



Foto: Wealan Pollard

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A (Minha) História Moderna do S. Martinho ou A História de como o S. Martinho Alegrou a Menina Triste



No princípio desta história havia apenas uma menina. A menina pensava que era alegre, acreditava que era feliz, mas sabe-se hoje que mendigava, ainda que não soubesse disso. Mendigava porque tudo o que vivia eram apenas trocos, migalhas de felicidade impossíveis de comparar àquilo que viria a conhecer.
E assim a menina ia vivendo, como um mendigo triste e despido num cenário de chuvas fortes, ventos e tempestades.
Mas depois tudo mudou. E mudou quando conheceu um menino que, aos poucos, lhe tomou conta do coração e do resto de que ela é feita... a menina começou a sentir-se diferente... E há medida que a paixão crescia e o amor se instalava e adensava, a menina percebeu que tinha recebido, de presente o Sol.
E hoje a menina ama tanto esse menino... Tanto que se percebe que hoje tudo é feliz com eles...
Esse menino que a menina ama faz anos hoje! Eu acho apropriado que faça porque já viram que ele é capaz de trazer, assim, o sol?

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Uma qualquer pontuação


Tempo demais sem escrever aqui seja o que for... A vergonha já me pesa...
Assim, e porque não sei se é mesmo um ponto final o sinal indicado para pontuar o meu blogue, assumo a pausa. A verdade é que esta praia que sou eu de várias maneiras já não está deserta... E assim parece ter chegado ao fim o seu propósito!
Não vou eliminar o blogue. Quem quiser poderá sempre passear-se por aqui! Mas há já muito tempo que não alimento esta praia e um espaço destes preciso de alimento frequente sob pena de se deixar ficar moribundo e desaparecer.
Assim ponho-lhe um ponto qualquer (talvez final!); um que explique que eu cá dentro sou uma praia cheia e que não consigo vir aqui para as solidões. Deixaram de me apetecer as solidões!
Deixo beijinhos a todos... a todos, todos! E um obrigada sentido! Não tenham pena...
Eu fui com as gentes........

Imagem retirada daqui

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Bom dia!


Há lá melhor coisa de acordar que com mimos?! Estar assim, a dormir sono profundo, e anunciarem-nos que é manhã com mimos e miminhos, festas e carinhos, e um 'Bom dia' sussurrado e baixinho porque o dia ainda não fala alto do lado de fora das janelas. Há lá melhor maneira que sabermos que amanheceu outra vez, mas desta vez com a beleza dos dias sem pressas, ainda que o dia viesse, como o de ontem, a ser de correrias. O fim de semana chega-nos só amanhã! Há lá melhor maneira de acordar do que com mimos, e sentir que há amor ali ao lado, dentro de nós, por todos os cantos do quarto onde dormimos? Não... Não há! Sei que não há! Com mimos é a melhor maneira de se acordar...

Imagem: Ingram Publishing

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Razões


Estive muito tempo afastada aqui do blogue e ando a sentir há algum tempo que devo uma explicação a quem (ainda) vem aqui à espera de novidades.
Para além da falta de tempo que uso frequentemente como desculpa e só serve para desculpar um bocadinho (pequenino), outros motivos se levantam para isto andar assim paradinho.
A verdade é que as palavras me saem melhor quando estou triste ou com poucos motivos para alegrias e eu tenho andado feliz, feliz, feliz...
Mas gostava de assumir um compromisso de vir cá deixar palavras com mais frequência, de me treinar nos mundos das ficções mais tristonhas para escrever mais vezes. Ou então aprender, de uma vez, a escrever alegrias.
É que, acreditem, eu tenho muito jeitinho para ser feliz! Mas para escrever felicidade... só se for lá com trabalhinho!

Imagem encontrada no Google sem referência ao autor

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Recomeço


Um dia acordei e notei que alguma coisa me doía... Sem me levantar, de olhos pregados no tecto, vasculhei mentalmente a minha ideia do que são as partes que me fazem um todo e não era nenhuma dessas que me doía...
Nao era de dentro que vinha a dor! Era, portanto, de fora...
Ainda deitada, e depois de me embrenhar em pensamentos filosóficos nunca antes desbravados concluí a única coisa que me era possível concluír... Doía-me o mundo! Era isso, em verdade absoluta.
Decidi esvaziar-me do mundo... Sem coragem para tirar, de mim, a minha vida, a fuga pareceu-me o caminho mais fácil e sensato para me acabar a dor.
Saí da cama e escolhi com tempo uma das malas que tinha por casa. Pus lá apenas aquilo que é mais meu, as poucas coisas sem as quais não consigo viver. Pus a vida numa mala, saí, fechei a porta à chave e fui até à estação de comboio.
Quando o comboio chegou eu já não estava lá...
...
Deixei a mala para ir...
Eu... voltei para casa!

Imagem encontrada no Google sem referência ao autor

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Dias normais


Como poderão os dias ser normais se me ofereces, de presente, rosas brancas, só porque chego a casa ao final de mais um dia?

Nunca poderão ser normais os dias contigo! Nem quero que o sejam nunca! A menos que dias normais, sejam dias assim como as rosas brancas: suaves e bonitos!

Já te disse "Obrigada!" hoje?!

Foto de Marta Baptista

terça-feira, 1 de julho de 2008

Estória Real

Conta-se assim:

Eu tenho um amor que me tem a mim. Mas ele está longe e não consigo tocar-lhe como queria, nem beijá-lo quando me apetece ou adormecer depois de horas a olhá-lo a dormir (assim, como deveria ser!)…
Tenho um amor (e ele a mim) e gosto muito dele. Gosto tanto dele que fico imensamente feliz quando lhe vejo sorrisos e aperta-se tudo cá dentro quando ele está triste.

Já senti tantas saudades dele! Mais que saudades dele… já lhe senti tanto a ausência! E que ausência que se sente!! Grande, grande, grande! Como grandes são as coisas grandes e até as pequeninas que fazemos quando estamos juntos!

Vamos acabar com estas distâncias e, para isso, eu vou buscá-lo ao sítio onde ele está e voltaremos juntos para o sítio onde eu tenho ficado a sentir a falta dele.

A varanda que ele (ainda) lá tem é bonita e de lá vê-se o mar e um ilhéu bonito feito em dois bocados!
Daqui a uns dias vou acordar, na primeira de muitas manhãs com ele e vou ver as maravilhosas belezas que se vêem daquela varanda. E vou sentir ainda mais forte esta certeza de que a minha maior beleza é ter um amor como ele e ele me ter a mim.

Foto de José Araújo

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Último Adeus


Finalmente as coisas tomam o seu rumo de deixarem as intermitências entre o ter-te e o não te ter (ter-te - não te ter; ter-te - não te ter; ter-te - não te ter...)
Por mais tempo que ainda falte, percebem-se as coisas a acontecer e o caminho a encaminhar-se para o dia em que chegaremos finalmente onde queremos (a Casa!).
Que bom que é saber que nos despedimos das despedidas! Que nos despedimos com este último 'até já' que, mais uma vez, provocou esta intermitência de deixar de te ter (enquanto não te tenho sem intermitências).
Já fizemos, juntos, a despedida das despedidas, e agora, por mais que o tempo pareça demorar-se (se parece!!!!), sabemos que depois deste último adeus, já não virão outros que nos roubem a este Nós que, cheio de paciências, tem esperado pelos dias sem distâncias pelo meio.
Aguardo o futuro sem intermitências, aquele onde os teus braços não me vão fugir, nem os teus beijos desaparecer-me dos lábios. Já falta tão pouco...
Pensando bem, este último adeus já soube a regresso... Porque, juntos, nos despedimos das despedidas!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Corre.......

Ai se eu pudesse fazer voar o tempo... Baralhar os ponteiros dos relógios e fazer voar, de um sopro, folhas diárias de calendários...
Ai se eu pudesse acelerar o tempo, este que eu gosto de sentir a passar ao seu ritmo normal de dia após dia...
Há alturas em que apetece fazer o tempo correr... Há alturas em que sabemos que o que está para vir é tão bom que o que apetece é fazer o possível para ver o tempo a correr até chegar à folha de calendário que se quer alcançar com ânsias de ser (mais) feliz...
Ai se eu pudesse, punha-me atrás do tempo para incitá-lo a fugir... Apressava-o! Ai... Se eu pudesse... Soprava com força os ponteiros dos relógios na esperança de os ver acelerar com a força da minha vontade que eles corram...
Como gostava de poder baralhar o mundo e pedir ao tempo para correr por Nós!
É que, às vezes, parece que tudo parou... Parece mesmo que alguém congelou o tempo...

Imagem: Photodisc

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Sonhar(-nos)


Sempre fui de sonhar muito... Com cenários, com momentos, com pequenices que costumava chamar 'pormenores de perfeição'... Sempre fui de acreditar que os sonhos que tinha acordada eram uma outra maneira, mais bonita, de chamar os projectos e fui sempre, sempre, de tentar puxar à realidade as coisas que ía sonhando. Assim, as coisas lá íam acontecendo e eu ficava contente porque misturava este jeito de sonhar com esta mania que eu tenho de querer viver a vida.
O meu amor também é de sonhos... Gosto que ele seja assim sonhador de possibilidades, de coisas grandes e pequeninas. Gosto que ele sonhe e gosto muito de sonhar com ele. Por vezes passamos horas seguidas a ser sonhadores juntos (Que bom!)...
Ainda assim, mesmo sendo sonhadora desde sempre, hoje percebo que nunca consegui sonhar a perfeição, mesmo quando pensava sonhá-la... por maior que me parecesse o sonho, foi sempre mais pequeno que esta realidade de te ter encontrado (e tu a mim) e de viver esta vida acordada e ao teu lado.
Pensei que sonhava o mundo quando me sonhava a mim... Mas só comecei a sonhá-lo quando sonhei o Nós.

Foto de Claude Tenot

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Sempre!


A todos os que percebem a importância de Abril e tentam, todo o ano, que não se percam as conquistas de então:
Boas comemorações!

Aos que não sabem, não querem saber, não pensam ou não sabem pensar, que há tantos por aí:
Abram os olhos!!!

Foto de Eduardo Gageiro

terça-feira, 15 de abril de 2008

Ensinamentos


Não sei ensinar palavras de amor... Sei dizê-las (pois, se as sinto...!) E dizê-las é, por vezes, tão fácil, como fácil é olhar para coisas belas e apreciá-las.
Mas ensina-las não sei! Não saberia sair de casa, pasta na mão, toda feita a ir leccionar palavras de amor a outros que não soubessem dizê-las. Eu, isso, não sei fazer (e no entanto é tão fácil dizer-tas!)...
Não saberia explicar por regras sintáctico-semânticas o uso do léxico (que trocamos) adequado a amanheceres, a anoiteceres e a outros momentos do dia.
Não saberia explicar casos-excepção (como quando se cala a boca e se põem os olhos a dizer palavras amorosas), nem a curva de entoação ideal para enfeitar essas palavras que digam o amor! Não consigo imaginar-me a ensinar por combinações de sons vocálicos e consonânticos a maneira mais bonita de se dizer que se ama...
Mas penso... Quem precisa aprender estas coisas? Só quem não as sente e quem não as sente não precisa saber dizê-las!
Eu digo (-tas)! E todos sabem porquê...

Imagem de Charles Tatcher

segunda-feira, 31 de março de 2008

Dois Anos


Quem costuma passear por estas areias já sabe que eu gosto do tempo que passa, de vivê-lo e de comemorar a sua passagem.

E é por isso que hoje venho aqui para assinalar os dois anos de existência desta praia por onde alguns se têm passeado e deixado marcas, pegadas nesta areia lisa de praia deserta.

Faz hoje dois anos que criei esta praia e ainda não me cansei dela nem me parece estar próximo esse dia do cansaço...

Vou continuar! E aqui assinalo: Faz hoje Dois Anos esta Praia Deserta, que começou pequenina... Que está já tão grande...

Haja tempo!!!... E ele que passe...

Imagem de John Knill

segunda-feira, 24 de março de 2008

Anda...


Anda... Vem daí... Larga esse mundo que me dizes que há aí desse lado mas onde eu não estou e vem ter comigo.
Anda apagar-me esta ausência de mim que me habita a cada dia que não te vejo nem te dou os bons dias ao ouvido logo pela manhã...
Anda, vem roubar-me aos dias a tua ausência que não me faz falta e preenche-lhe o espaço com a presença de ti e de quem és...
Anda daí e traz-me de volta a mim porque (já te disse!) sou outra desde que sou contigo... Sou outra ou Sou (simplesmente).
Anda... vem depressa até à minha porta (como de outras vezes)... Eu estarei lá para a abrir e encostar a minha mão aberta à tua que vem a chegar!
(Quem me dera hoje!)
Anda... vem até aqui... Aqui onde eu espero que me roubes, à vida, esta ausência de ti...

Imagem de Pedro Moreira

sábado, 8 de março de 2008

Tanto por fazer

Não, não vou sair esta noite...

Não, não vou jantar com as minhas amigas!

Não, também não vou embebedar-me porque é dia 8 de Março!

Não, não vou assobiar a todo o homem que passar por mim!

Não, não vou ver homens a despirem-se em lado nenhum!

Ah! E sim... lembrei-me muitas vezes delas... aquelas que apenas por serem Mulheres, não podem ser mais nada...

Tanto ainda por fazer...

Imagem de Charles Gullung

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

1, 2, 3... 12 palavras

Em resposta ao desafio lançado no Tons de Azul

Eu gosto muito de palavras... Mas, mais que as palavras, o que eu gosto mesmo muito é do que se fala quando se utilizam algumas palavras de que eu gosto... Significados que não se encontram dentro de dicionários. Por exemplo:
Um Sorriso (subst. masc) não é a «manifestação que se faz, sorrindo, e que exprime um sentimento de benevolência, simpatia ou ironia». Um sorriso são os teus lábios a falar-me de amor.
Ou o Amor (subst. masc) não é «viva afeição que nos impele para o objecto dos nossos desejos; inclinação da alma e do coração; objecto da nossa afeição»...Não... Nitidamente! O Amor é exultar os dias ao teu lado.
A Música (subst. fem.) nunca é apenas a «arte e ciência de combinar harmoniosamente os sons», é uma maneira de viver a vida e de lhe colocar, como nos filmes, uma banda sonora que nos enfeite os dias!
Também uma Ponte (subst. fem.) não é uma simples «construção que liga dois pontos separados por curso de água ou por uma depressão de terreno». Ponte é aquilo que temos andado a construir, este laço que nos une e nos faz chegar um ao outro com tanta naturalidade.
Dizer que Coragem é a «firmeza de espírito, energia diante do perigo» é, também, dizer tao pouco...Porque coragem é correr o risco, aceitar a saudade e lutar contra ela, é ter medo mas ir em frente.
Como podem as Mãos (do singular Mão - subst. fem.) ser apenas a «parte terminal dos membros superiores do homem»? Nunca... As tuas mãos são um porto seguro, o lugar onde me quero deixar ficar.
E o que é uma Gargalhada (subst. fem.)? Não é (não é!) uma «risada franca, ruidosa e demorada». Onde se percebe aqui o rasgo, o estrondo; onde está a alegria?
Assim como o Verão (subst. masc.) é muito mais que a «estação do ano imediata à Primavera e anterior ao Outono»... Onde se perdeu o calor, a praia,os dias longos, as esplanadas e as roupas leves?
Também o Aniversário (subst. masc.) não se define como o «dia em que se completam anos de idade»... É uma comemoração, é festa, amigos, sonhos novos, novinhos...
E a Beleza (subst. fem.)... Como pode a Beleza ser apenas a «qualidade do que é belo»? Onde se vê a beleza nas linhas do dicionário (onde estamos Nós?).
E o Silêncio (subst. masc.) que é, tantas vezes, muito mais que o «estado de quem se abstém de falar»... Quantas conversas tivemos já em silêncio?
Por último pergunto... Como pode a Vida (subst. fem.) ser só o «espaço de tempo decorrido entre o nascimento e a morte»?

Deviam existir dicionários com corações a bater lá dentro. Só assim se perceberia o valor destas (12) palavras...

Post-Scriptum: lanço este desafio à Tânia, à Catarina, ao Melo e ao Montenegro (só para não chatear mais ninguém!)
Todas as definições encontradas aqui
Imagem de Keith Brofsky

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Da Realidade


Desde que me entraste realidade adentro, o mundo reformulou-se por inteiro... Não sei contar as alterações no mundo, porque acho que são só os meus olhos a ver a maneira como as cores se alteraram ou a forma como os ponteiros dos relógios parecem ter enlouquecido (umas vezes a correr que nem loucos, outras entorpecidos e pachorrentos)..
Desde que me entraste realidade adentro, até os meus sonhos mudaram... Não os sonhos em si... esses continuam (nem tu quererias que eu os perdesse porque gostas de mim sonhadora), mas apareces-me por lá, a dar-me a mão nas conquistas e nas derrotas... Como se te tivesses esgueirado para lá da realidade por onde me entraste... És a minha nova maneira de sonhar...
O mundo mudou todo desde que me entraste realidade adentro... E sei que não é um sonho, porque nunca consegui sonhar nada assim... Até o mais perfeito dos sonhos, aquele onde eu sonhava Amor, nem esse conseguia alcançar esta realidade de me entrares mundo adentro e deixares-te ficar...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Janeiro, Fevereiro...

Nunca vivi Março contigo. Não tenho especial carinho pelo Março (nem por qualquer outro mês do ano), mas Março foi tempo que nunca atravessei contigo...
E só por isso, quero que venha este Março para poder conhecê-lo como não o conheci nunca e apresentar-me a ele: "Olá - direi - sou eu e venho apaixonada!"... Não irá responder-me, o mês de Março, porque julgo saber que os meses não respondem às pessoas, mas quero apresentar-me na mesma ao Março que vem, porque não me conhece! Sou outra desde que sou contigo...
Direi: "Olá, Março! Sou eu e venho com a bagagem cheia de amor"... Não vai responder-me na mesma (julgo...) e não me importará que não responda! Importa-me apresentar-me e atravessá-lo contigo.
E, na travessia do Março, saberei que virá Abril e então vou lembrar-me: "Nunca atravessei Abril contigo e Abril não me conhece"... E quando chegar, já sabes, apresento-me e apresento-te e atravessaremos também Abril...
Quantos meses ainda não nos conhecem...? E quantos anos?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

ABC...


O mundo tem muitas letras que fazem palavras que compõem textos, que compõem versos, poemas e livros que (d)escrevem o mundo...
O mundo é feito de letras que nos escrevem a todos; que me escrevem a mim e te escrevem a ti e nos escrevem a Nós... e eu gosto de me ver nelas ou de me escrever com elas e de te meter pelo meio destas maneiras que eu arranjo de me (d)escrever... Gosto de escrever o que é isto de ser eu contigo...
O mundo tem as letras que precisa para (d)escrever o que nele existe, mas para o que existe em Nós é que eu não sei, às vezes, juntar as letras que expliquem o Nós a quem não o saiba entender...
Gosto de letras e há muitas no mundo! Basta olhar o mundo para lhe ver as letras que se podem juntar e formar palavras e poemas e versos e livros e que podemos baralhar como se faz com as cartas e voltar a escrever novos mundos, como eu gosto de fazer contigo!
É com as letras do mundo que eu te falo, e tu a mim, e dizemos todas as coisas que não saberíamos dizer se não houvesse as letras que há por aí... Dizemos as letras do mundo até quando não abrimos a boca porque os olhos (pelo menos os nossos!) também sabem o alfabeto...
Os meus sabem soletrar-te o que me vai cá dentro... E os teus também!