quinta-feira, 1 de junho de 2006

Cartas


Já lá vai o tempo em que escrevia cartas e as enviava para quem as dirigia... Agora escrevo cartas para os fundos de gavetas ou para o ar... Quem lê as que lanço nunca é quem me leva a escrevê-las!
A mim também não me escrevem cartas... Há que tempos que não vejo caligrafias endereçadas a mim... Eu que gostava tanto de receber cartas e que aguardei já o carteiro como quem aguarda a melhor companhia para a festa!
Tenho guardadas todas as cartas da minha vida... Guardo-as numa caixa que gosto de abrir de vez em quando, sentada na cama... Abro a caixa e começo a tirar de lá todas as boas e más notícias trazidas pelo carteiro... Declarações de amor, cartas perfumadas, bilhetinhos coloridos, postais ilustrados de sítios bonitos, desejos de Parabéns e Boas Festas... Todas escritas à mão, como eu gosto! Vão amareceler, as minhas cartas! Tão bom saber disso!
Por onde andarão as que escrevi e enviei? Será que as guardaram tão bem como eu guardei as que recebi?
Agora escrevo cartas... mas quem deveria recebê-las nem sabe que as escrevo! Não faz mal! Eu escrevo-as na mesma e vou guardá-las... até ficarem amarelas!

3 comentários:

João Barbosa disse...

Recebi uma carta ontem... e não era uma conta para pagar.

Montenegro disse...

Se calhar estás enganada, Ana.
Se calhar há quem te escreva cartas e faça como tu, não as chegue a enviar ou a mostar. Podem até não ser cartas escritas à mão, ou em papel. Podem até ser cartas escritas na própria mente e nunca cheguem a amarelar, mas ficam guardadas noutras gavetas mais especiais que não as materiais.

Bjs. ;)

ismael disse...

E não é que também eu, tenho uma caixinha de sapatos com as cartas que recebi, todas elas me fazem ficar com saudades do tempo que passou, as cartas dos "loves" a carta que a minha mãe me escreveu quando fiz 18 anos, outras cartas que gosto de guardar, para me lembrar de pessoas de quem gosto ou já gostei, mas a minha caixinha é especial... possui magia, só eu sei onde a guardo, se alguém a encontrar vai de certeza perceber porque a guardei, ali estão guardados momentos que vivi e que guardo na minha memoria, mas aquela caixa velha de sapatos guarda ainda os rascunhos das cartas que escrevi, porque o que escrevemos não se apaga quando mudamos de opinião, se pudesse voltar a escreve-las escrevia tudo igual, porque o que escrevi senti, e sentimento morre connosco.
Jokas.