quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Recomeço


Um dia acordei e notei que alguma coisa me doía... Sem me levantar, de olhos pregados no tecto, vasculhei mentalmente a minha ideia do que são as partes que me fazem um todo e não era nenhuma dessas que me doía...
Nao era de dentro que vinha a dor! Era, portanto, de fora...
Ainda deitada, e depois de me embrenhar em pensamentos filosóficos nunca antes desbravados concluí a única coisa que me era possível concluír... Doía-me o mundo! Era isso, em verdade absoluta.
Decidi esvaziar-me do mundo... Sem coragem para tirar, de mim, a minha vida, a fuga pareceu-me o caminho mais fácil e sensato para me acabar a dor.
Saí da cama e escolhi com tempo uma das malas que tinha por casa. Pus lá apenas aquilo que é mais meu, as poucas coisas sem as quais não consigo viver. Pus a vida numa mala, saí, fechei a porta à chave e fui até à estação de comboio.
Quando o comboio chegou eu já não estava lá...
...
Deixei a mala para ir...
Eu... voltei para casa!

Imagem encontrada no Google sem referência ao autor

11 comentários:

Pedro disse...

:) Coincidência engraçada ;)

Pedro disse...

http://lenadagua.blogspot.com/

João Barbosa disse...

bj :-)

Delio disse...

A forte é quem se levanta. Aquele beijo...

Antonio Garcia Barreto disse...

Passei por aqui e gostei. Aproveito para deixar uma sugestão de leitura: "A Mulher da Minha Vida", Oficina do Livro, 2008
http://mulherminhavida.blogspot.com

Valter E. disse...

Alô, Ana! Olha, porque o tema é o fado, lembrei-me de te deixar o link para dois textinhos meus que sairam na Minguante - Revista on line de Micronarrativas. Aqui:

http://minguante.com/?num=12&textos=valter_ego

Oeu ManusDei disse...

boa, comboios, viagens...exactamente o meu tipo de alegorias :P

vou fazer a mala tb!!

Canto Definido disse...

Neste momento acho que deixaria para trás a mala e tudo o resto que me acorrenta, cortaria as amarras e desprenderia essa enorme âncora que me mantêm afastado de uma possível felicidade...

A destreza das dúvidas disse...

:)

StormInTheMorningLight disse...

às vezes também me pergunto, pq sairam melhor as palavras qd a tristeza toma conta de nós... será porque nos queremos livrar dela?

Há muito que não passava por aqui, é sempre um prazer enorme!

=)

Pedro disse...

Olá. Sou do Brasil e apenas hoje (11/12/2009) conheci seu blog. Acredito que se estou aqui é porque temos algo em comum. Li seu texto "recomeço" e entendi a intersecção de nossos mundos. Praias desertas costumam ser assim: raras e encantadoras. Parabéns.